Importação de algodão ainda preocupa
Todo investimento realizado na cultura do algodão no Mato Grosso não significa, contudo, que os produtores esperem uma comercialização tranquila na próxima safra. Mesmo com um déficit de produção em relação ao consumo têxtil (446 mil toneladas para 750 mil toneladas consumidas), os produtores sofrem com as importações.
As importações são financiadas a convidativos juros internacionais e prazos camaradas de mais de um ano para pagar. Dá tempo da indústria processar e vender o algodão e ainda aplicar o dinheiro na ciranda financeira brasileira antes do vencimento do financiamento, resume um analista do mercado.
Com isso, o Brasil vive a situação surreal de importar algodão que chega a nossos portos muitas vezes com preços superiores ao produto nacional.
Para Andrew McDonald, diretor de operações com algodão da Alpargata Santista, essas importações não devem ser tão agressivas no próximo ano, a se manterem as condições atuais. A disponibilidade de linhas de crédito no Brasil está se reduzindo, e os custos de importação, aumentando, afirma.
A Tarifa Externa Comum do Mercosul para importações de algodão, observa o executivo, vai aumentar para 7%, ante 6% deste ano, o que vai onerar ainda mais as importações. O custo de liberação de cartas de crédito também cresceu.
Contudo, a situação poderá ser favorável para a Argentina, país que lidera as importações para o Brasil. Um acordo entre os governos brasileiro e argentino garante que os bancos centrais dos dois países cobrirão cartas de crédito em caso de inadimplência.
Além disso, estão ocorrendo importações diretas no País financiadas pelas próprias algodoeiras argentinas. A Argentina não ameaçou o Brasil nesta safra devido à perda brutal em suas lavouras, que foram inundadas na época da colheita.
Da safra argentina prevista em 500 mil toneladas de algodão em pluma apenas 320 mil toneladas se materializaram. Com um empréstimo de emergência do governo argentino, a atividade deve ser retomada na próxima safra. Contudo, o diretor de fibras da Secretaria de Política Agrícola, Luiz Pellegrino, está estimando uma queda de 20% na área cultivada da Argentina. No último ano, a área tinha atingido 1,15 milhão de hectares. (R.S.)





