Importação de abubos pára no Porto
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segunda-feira, 02 de outubro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O crescimento da importação de matéria-prima para a produção de fertilizantes está sobrecarregando o funcionamento do Porto de Paranaguá. Com isso, muitas indústrias misturadoras de adubos enfrentam dificuldades para descarregar a carga e estão somando prejuízos. Segundo levantamento feito pela Folha junto ao Sindiadubos, o período de espera dos navios carregados no porto é de 30 dias, em média, o que deve resultar num prejuízo entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões para as indústrias que importam matéria-prima.
Cerca de 1,7 milhão de toneladas de nitrogênio, fósforo e potássio (matérias-primas dos fertilizantes) estão na fila de espera para serem desembarcadas em Paranaguá. Do total de 4 milhões de t desses produtos que ingressam no Estado pelo porto, cerca de 2,2 milhões devem ficar no Paraná. O restante é destinado a Santa Catarina, Mato Grosso e São Paulo.
Se a carga demorar muito a ser descarregada, poderá comprometer o plantio de soja, que começa com intensidade no Paraná dentro de duas semanas. Revendedores de fertilizantes informam que o produto já está em falta na região Oeste do Estado, principalmente nos municípios próximos ao Lago de Itaipu, onde o plantio já foi iniciado.
O diretor empresarial do Porto de Paranaguá, Lourenço Fregonese, afirma que a administração está fazendo o possível para reduzir as dificuldades, mas diz que elas foram criadas pelas próprias importadoras. Fregonese acredita que as empresas erraram na logística neste ano e programaram as chegadas do navio para um mesmo período. Nunca o porto de Paranaguá recebeu tanto adubo numa mesma época, comparou.
Ontem, havia seis navios com matéria-prima de adubos atracados para descarregar. Eles ocupavam seis berços (pontos de atracamento) metade da capacidade total do porto. Enquanto isso, outros 23 navios estão ao largo esperando para descarregar, muitos já pagando a demourrage, taxa paga pelo importador pelo período de espera dos navios, que varia de US$ 5 mil a US$ 10 mil por dia. Ocorre que nem todos os navios que estão ao largo têm capacidade técnica de ocupar os berços, daí a demora, justifica Fregonese.
A falta de capacidade técnica de alguns navios para ocupar todos os berços existentes no Porto de Paranaguá decorre da falta de estrutura. Segundo Fregonese, muitas indústrias contratam navios em final de linha para transportar o adubo, com o objetivo de pagar frete e demourrage mais baratos. Quando chegam ao porto, podem atracar em apenas um berço, o que acaba sobrecarregando a estrutura.
Além dos problemas estruturais, há outro fator: o surpreendente crescimento da importação de fertilizantes. No ano passado, o porto de Paranaguá recebeu 2,3 milhões de toneladas do produto e, neste ano, deve desembarcar cerca de 4 milhões de toneladas, concentradas entre agosto e outubro. Com isso, o prazo médio de espera dos navios, que era de 20 dias em agosto, avançou para 30 dias em setembro e deve ir a 35 dias, em outubro.
Segundo estimativas do mercado e da direção do porto, a situação neste ano só vai melhorar com a entrada em operação de um novo terminal da Fosfato do Paraná (Fospar), com capacidade para descarregar até 10 mil t de matéria-prima por dia. O terminal é privado, mas de uso público, e poderá prestar serviços a terceiros.


