Implantação de 4G vai custar R$ 8 bi por ano às empresas
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sábado, 23 de junho de 2012
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
Diante do prazo de quatro anos para que todas as cidades acima de 100 mil habitantes comecem a trabalhar com a tecnologia 4G (Quarta Geração), o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, estima que as operadoras e empresas de telefonia vão precisar investir R$ 8 bilhões por ano para atender - com qualidade de serviço - a população destes municípios. Na manhã de ontem, Rezende esteve em Londrina participando de uma oficina temática sobre ''ciência e tecnologia'' e ''desenvolvimento econômico'' promovido pelo diretório municipal do PT e conversou com exclusividade com a FOLHA sobre a expectativa de implantação da tecnologia no País.
Há pouco mais de uma semana, a Anatel promoveu o leilão dos serviços 4G e conseguiu negociar 54 dos 273 lotes ofertados. O valor arrecadado pela agência foi em torno de R$ 2,93 bilhões, considerado abaixo do esperado. A expectativa era que a venda dos lotes atingisse, pelo menos, R$ 3,85 bilhões. A arrecadação baixa, porém, parece não preocupar o presidente da autarquia. Segundo ele, ''a Anatel está muito mais preocupada com a prestação de um serviço de qualidade e sua cobertura do que com a arrecadação''.
Rezende lembrou também que este foi o primeiro leilão com abrangência para que a tecnologia atinja, de fato, a zona rural. Segundo ele, até 2015 haverá serviços de dados e voz sendo ofertados para oito milhões de famílias que estão distantes das áreas urbanas.
Outro assunto abordado pelo presidente da Anatel foi a aprovação recente da regulamentação da nova lei de TV por assinatura. Entre as principais mudanças estão o estabelecimento de cotas de conteúdo local na TV paga e a entrada das empresas de telefonia como prestadoras do serviço. ''É o momento que estão surgindo inúmeros operadores, com o mercado crescendo, em média, 30% ao ano.''
Pelos cálculos da Anatel, atualmente são cerca de 15 milhões de assinantes de TV paga no País. No ano passado, eram 12 milhões de consumidores deste produto. Rezende acredita que nos próximos cinco anos é possível atingir entre 30 e 35 milhões de residências usufruindo deste serviço. ''O Brasil tem potencial para atingir 80% das residências com TV por assinatura até 2018, tanto via satélite quanto via cabo. Neste momento está acontencendo uma expansão do serviço nas cidades médias. Após esta etapa, a concorrência pode ficar mais acirrada e os preços serem reduzidos'', estimou.
Sercomtel
Quando o assunto foi a crise enfrentada pela Sercomtel, o presidente da Anatel preferiu não polemizar. João Rezende disse que mesmo com a dificuldade para concorrer com as grandes no setor - na última década, a empresa de telefonia londrinense fechou seu balanço seis anos no vermelho - é possível potencializar seus produtos e serviços. ''Mas para manter a empresa competitiva, é preciso que se tenha uma maior estabilidade em todo o processo de gestão'', decretou.


