MONTEVIDÉU - A Câmara de Indústrias do Uruguai denunciou ontem que as restrições comerciais anunciadas pelo Brasil provocarão prejuízos de mais de US$ 70 milhões mensais para os exportadores. Além disso, centenas de trabalhadores do setor têxtil serão demitidos. Os dirigentes industriais se mostraram ‘‘preocupados com o mal-estar’’ causado pela imprevista decisão brasileira de restringir o crédito para importações e alertaram sobre as consequências negativas dessa medida na economia uruguaia.
Um empresário têxtil disse que o impasse não se solucionará nos próximos 15 dias e indústria deste setor demitirá 60 ou 70% de seu pessoal, por causa do enorme estoque sem mercado. O ministro da Economia, Luis Mosca, disse que ‘‘a situação vem sendo negociada com as autoridades brasileiras e pediu aos exportadores locais que mantenham ‘‘prudência e cautela’’ enquanto isso.
‘‘Estes problemas não são de fácil solução, nunca se resolvem estas coisas em 24 ou 48 horas’’, disse o ministro, que pode viajar ao Brasil na próxima semana, onde se encontrará com o ministro Pedro Malan. Mosca disse que, em princípio, se tentará solucionar o problema ‘‘em contatos bilaterais’’. Mas admitiu: ‘‘Nós seremos obrigados a adotar ações entre os sócios do Mercosul’’, se persistirem os entraves.

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