Carmem Murara
De Paranaguá
O Porto de Paranaguá está praticamente pa rado desde a noite de anteontem por causa de um impasse trabalhista entre o Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo), operadores portuários e trabalhadores. Com exceção dos quatro navios atracados no corredor de exportação, nenhum dos outros sete navios conseguiu descarregar.
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina informou que deixa de movimentar 20 mil toneladas por dia com a paralisação, o que representa uma queda de arrecadação em tarifas de R$ 80 mil. Para os armadores, o gasto com o navio parado é de R$ 15 mil ao dia. O impasse pode terminar hoje às 11 horas, quando haverá uma reunião das partes envolvidas na Delegacia Regional do Trabalho.
A briga no terminal portuário começou quando a diretoria do Ogmo anunciou que não iria mais aceitar os trabalhadores que tivessem apenas o cadastro no sindicato (conhecidos também como força supletiva ou bagrinhos). A preferência seria apenas para os registrados, o que deixaria cerca de três mil portuários desempregados. Ao saber da mudança, os estivadores se revoltaram e quebraram parte da sede do Ogmo, que ontem permaneceu sob a segurança de 36 policiais militares.
O prédio onde fica o Ogmo foi invadido na noite de quarta-feira e na manhã de ontem, quando a maioria dos computadores e arquivos foi destruída. ‘‘Eles podem ter acabado com o cadastro que continha as informações sobre cada um dos trabalhadores’’, afirmou o tenente Maurício dos Santos, um dos policiais que fazia a segurança do local.
Além do ato contra o Ogmo, os estivadores e arrumadores do porto saíram em carreata pela cidade, obrigando o comércio a fechar as portas durante a manhã. Alguns comerciantes aderiram à manifestação, enquanto outros interromperam o trabalho com medo de depredações. Os portuários chegaram também a bloquear a BR 277, na saída de Paranaguá, das 11 horas até 12h30. Formou-se uma fila de caminhões nos dois sentidos.
O presidente do Sindicato dos Estivadores, Ubirajara Maristany, disse que a paralisação no porto não era uma greve dos trabalhadores. ‘‘Nós queremos trabalhar, mas as operadoras estão com receio de requisitar a mão-de-obra’’, afirmou. No final da tarde, algumas operadoras como a Cotriguaçu, Marcon e Desp entraram em contato com as operadoras para conseguir estivadores e arrumadores. Mas elas temiam que a Delegacia Regional do Trabalho aplicasse multas por contratação irregular. Somente o Ogmo pode contratar mão-de-obra, mas nenhum diretor foi localizado ontem.Estivadores se revoltam contra decisão do Órgão Gestor de não aceitar mais trabalhadores cadastrados apenas no sindicato
José SuassunaREVOLTAPolícia Militar destacou 36 soldados para garantir a segurança do Órgão Gestor de Mão-de-Obra no Porto de Paranaguá, após a revolta dos estivadores que quebraram parte da sede e deixaram os comerciantes com receio de abrir os seus estabelecimentosJosé SuassunaUbirajara Maristany, em reunião com estivadores em frente ao porto

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