Itamar Miranda/AE
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Novo protestoEstivadores bloqueiam a estrada Piaçaquera com barreiras e fogo em frente à Cosipa: acordo difícilOs estivadores recusaram no início da tarde de ontem a proposta da Cosipa para encerrar a greve no porto de Santos, que completa hoje o terceiro dia. Dos 18 navios atracados no porto, apenas dois estavam operando ontem, segundo a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo). Uma reunião entre estivadores e empresa para negociar a volta ao trabalho, prevista para ontem, deve ocorrer apenas hoje. Depois da reunião, nova assembléia de trabalhadores define o futuro da greve.
A reunião deveria ter começado às 14h, com quatro representantes de cada parte. A Cosipa, no entanto, exigiu que o sindicato apresentasse a ata da assembléia encerrada meia hora antes. Até as 18h30, a ata ainda estava sendo preparada pelos sindicalistas. Havia até o final da tarde de ontem 500 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar dentro da Cosipa, fazendo a segurança da empresa, segundo o tenente-coronel Eduardo Bello, comandante do 21º Batalhão da PM de Cubatão.
Por volta das 18h20, cerca de 50 estivadores concentram-se em frente ao portão da Cosipa e passaram a hostilizar policiais militares que fazem a segurança da entrada da empresa. Houve um princípio de tumulto entre os próprios estivadores. Logo em seguida, os manifestantes fecharam novamente o acesso pelo viaduto da Cosipa.
A proposta apresentada pela Cosipa continha cinco itens e foi resultado da reunião entre sindicalistas e diretores da empresa anteontem em São Paulo. Os estivadores rejeitaram, durante a assembléia, a proposta para que o descarregamento de navios fosse feito alternadamente pelos avulsos e mão-de-obra própria.
Os estivadores defendem o monopólio da mão-de-obra e não querem dividir a movimentação de cargas nos navios com funcionários contratados pela Cosipa para esse fim. Os demais itens - criação de comissão de negociação, início da negociação ontem, operação dos dois próximos navios por estivadores e participação em comissão setorial para discutir a modernização dos portos no Estado - foram aprovados.
Segundo presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, Joaquim Quincas da Silva, a Cosipa quer reduzir em 50% o custo da mão-de-obra. A Cosipa não confirma a informação. ‘‘Existem várias formas de fazer essa redução. Uma delas, que vamos apresentar, é a mudança no sistema de pagamento dos estivadores’’.
Cerca de 200 funcionários das empresas do Pólo Petroquímico de Cubatão (62 km a sudeste de São Paulo) tiveram as trocas de turnos prejudicadas em virtude do bloqueio da rodovia Piaçaguera-Guarujá. Segundo Roberto Gozzi, diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), os funcionários chegaram a trabalhar 20 horas sem parar.
Diretores do Sindicato dos Estivadores do Porto de Paranaguá têm reunião marcada para hoje. Eles vão discutir o movimento em Santos - que deverá desencadear paralisações em todos os portos do País -, para definir a posição dos trabalhadores do porto paranaense.

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