O Sindicato do Comércio Varejista de Maringá (Sivamar) e o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Maringá (Sincomar) travam mais uma vez uma ‘‘batalha’’ para resolver uma questão antiga: a regulamentação da abertura do comércio aos domingos. A polêmica existe desde 1992, quando o ex-prefeito Ricardo Barros liberou o funcionamento do comércio por parte da prefeitura. Apesar da iniciativa de Barros, a abertura das lojas exige um acordo com o sindicato dos trabalhadores da categoria. É este acordo que há oito anos não sai e que mais uma vez está sendo discutido pelos sindicatos, aproveitando a convenção coletiva da categoria, cuja data-base foi 1º de junho.
Atualmente, cerca de 140 lojas dos shoppings Avenida Center e Aspen Park funcionam aos domingos à tarde amparadas por liminares judiciais. Recorrer à Justiça foi a única forma encontrada pelos lojistas para driblar a legislação federal que impede o funcionamento do comércio aos domingos sem a homologação do sindicato dos trabalhadores da categoria. O recurso judicial entretanto, não é definitivo e o Sincomar ameaça o fechamento das lojas com ações impetradas na Justiça pedindo a cassação das liminares.
Para resolver o impasse, o Sindicato do Comércio Varejista de Maringá (Sivamar) está propondo regulamentar a abertura das cerca de 400 lojas dos shoppings Avenida Center, Aspen Park e Maringá. ‘‘A nossa proposta foi diminuir a carga horária de 44 para 38 horas semanais e aumentar em 20% o valor da hora extra aos domingos’’, disse o presidente da Associação dos Lojistas do Shopping Avenida Center, Manoel Messias da Silva.
Segundo ele, o acordo proposto pela comissão de negociação só visa a regulamentação da abertura das lojas dos três shoppings. Silva garante que o funcionamento das lojas aos domingos vai gerar mais empregos. ‘‘Queremos regularizar a situação e não ter que ficar recorrendo sempre à Justiça para que os lojistas funcionem aos domingos’’, disse. A intenção dos lojistas, porém, está difícil de ser concretizada.
De acordo com o presidente do Sincomar, Cícero Moreira, qualquer negociação em torno da abertura do comércio aos domingos tem que passar antes por uma ampla discussão envolvendo representantes do Ministério do Trabalho e Ministério Público. ‘‘Temos outras questões prioritárias para serem discutidas como o reajuste salarial. Qualquer acordo sobre abertura do comércio aos domingos poderá ser incluída na convenção coletiva através de um termo aditivo’’, disse.
Segundo ele, os empresários estão resistentes até mesmo para conceder o reajuste solicitado pelo Sincomar. ‘‘Eles (empresários) não querem dar nem mesmo o reajuste de 11,03% que foi o equivalente ao reajuste do salário mínimo como podem querer discutir a abertura do comércio?’’, indagou.
O presidente do Sivamar, Ali Wartani prefere não acirrar as discussões. Segundo ele, as negociações com o Sincomar estão ‘‘caminhando bem’’. Ele disse que até o final deste mês, os dois sindicatos entram em acordo e homologam as normas para abertura do comércio.
Indiferentes às brigas dos sindicatos, os consumidores aprovam a iniciativa da abertura das lojas aos domingos. A maioria alega comodidade e oportunidade de reunir a família na hora da compra. A dona-de-casa Júlia Hadda,38, por exemplo, diz que já esteve várias vezes nos shoppings da cidade aos domingos. ‘‘Aproveito o domingo porque tenho mais tempo e também porque posso ir com o meu marido’’, afirmou.
O comerciário Marivaldo Patrício de Oliveira, 48, disse gostar da iniciativa dos lojistas dos shoppings de Maringá, mas confessou que se fosse para ele trabalhar aos domingos não iria concordar. Ele mora e trabalha em Rondon (90 quilômetros a nordeste de Umuarama). ‘‘Eu acho bom que o comércio de Maringá abra aos domingos porque posso vir com a minha família e acompanhá-la nas compras, mas se for para analisar pelo lado dos funcionários, a iniciativa é ruim’’, disse. Ele, que também é comerciário, confessou que não gostaria de trabalhar aos domingos. ‘‘Domingo é dia de descanso. É dia de estar reunido com a família e com os amigos’’, disse.

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