A General Motors do Brasil (GMB) e a Ford negociam hoje e amanhã o repasse do restante de recursos acordados com o ex-governador do Rio Grande do Sul, Antonio Brito (PMDB), para a implantação de unidades das duas empresas em Gravataí e Guaíba, ambas naquele Estado. O impasse criado pela suspensão do repasse, anunciado pelo governador Olívio Dutra (PT) na semana passada, gerou boatos sobre a possível transferência dos investimentos para o Paraná.
O secretário do Estado da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, declarou ontem, através de sua assessoria de imprensa, que não procurou e não foi procurado por nenhum representante da GM e da Ford para tratar deste assunto. A assessoria de imprensa da Ford não quis confirmar se existe a possibilidade da empresa transferir a construção da unidade para o Paraná. Já a assessoria da GM, praticamente descartou esta hipótese porque as obras civis da fábrica estão quase concluídas.
O deputado estadual do Rio Grande do Sul, Onyx Lorenzoni (PFL), ligou na semana passada para o secretário Sciarra para saber sobre a possível negociação entre o Paraná e as duas empresas. ‘‘O secretário garantiu que não contactou as montadoras, até por uma questão de ética’’, disse Lorenzoni. Porém, o parlamentar não descartou a hipótese de mudança da Ford, que ainda está nas obras de terraplenagem. ‘‘Vamos fazer de tudo para manter os investimentos no Rio Grande mas a radicalidade do atual governo coloca o projeto em risco’’. O secretário estadual de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do Rio Grande do Sul, José Luiz Vianna de Moraes, reúne-se hoje com a diretoria da GM e, amanhã, com a da Ford para tentar encontrar uma solução para o impasse.
Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, o governo do Estado quer que as empresas permaneçam no Rio Grande do Sul. A assessoria informa que ‘‘o governo está consolidando uma nova postura de relacionamento com as indústrias GM e Ford e está aberto à negociação, desejando que essas empresas contribuam para o desenvolvimento econômico e social do Estado.
O Rio Grande do Sul já repassou R$ 399.937.625,84 para a GM e a Ford. Faltam R$ 466,9 milhões dos R$ 866,8 do valor estimado para a implantação das duas empresas. Em comunicado oficial, o governo afirmou que ‘‘ao cumprir as metas de priorizar os investimentos em saúde, educação e habitação, o Estado não tem condições de repassar recursos públicos para essas grandes montadoras’’.
Na mesma nota, o governo do Rio Grande do Sul afirmou que é sua obrigação revisar os contratos sob pena de validar itens lesivos ao Estado.

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