Impasse aumenta prejuízos no PR
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quinta-feira, 24 de junho de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O embargo russo à carne brasileira completa uma semana amanhã. Os prejuízos no Paraná somam cerca de US$ 1 milhão que deixaram de ser faturados nas exportações de suínos e bovinos esta semana pelas agroindústrias, que estocaram a produção à espera da liberação dos embarques.
São as agroindústrias que têm que bancar custos com estrutura de estocagem a frio, o que não é nada barato, disse ontem o presidente do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes), Péricles Salazar. Para aumentar o problema das indústrias, a Argentina também anunciou a suspensão da importação de carne suína brasileira.
Para Salazar, a informação divulgada pelo Ministério da Agricultura de que a Rússia quer negociar a suspensão do embargo, utilizando como moeda de troca a importação de trigo daquele país, é um fato que traz mais dificuldades à uma solução rápida do problema. ''São fatos como esse que nos levam a crer que os embargos que deveriam ter como fundamento o rigor das normas sanitárias, na verdade são utilizados como argumentos para suspensão de contratos comerciais.'' Apesar disso, Salazar não acredita que haverá redução nas cotações das carnes suínas e bovinas, principais produtos exportados para a Rússia.
O frigorífico Amambai, de Maringá, que exporta carne bovina está direcionando a carga para outros países, disse Salazar. Mas a carne suína está sendo estocada à espera de liberação das cargas. O Paraná fatura US$ 860 mil com as exportações de carne suína por semana e mais US$ 154 mil com a carne bovina para a Rússia.
Para representantes do agronegócio, a negociação da carne brasileira em troca do trigo russo não tem o respaldo da iniciativa privada. O impasse é a falta de qualidade do trigo produzido na Rússia. Além disso, o Brasil está aumentando a produção local e também tem um fornecedor tradicional que é a Argentina. Os empresários cobram um posicionamento mais duro do governo brasileiro, porque está ficando evidente que a origem do embargo não é sanitária e sim comercial.


