O aumento do preço da gasolina deve ter um impacto de no mínimo 0,30% na inflação de dezembro medida pelo Índice do Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O cálculo considera o repasse para o consumidor da alta de 10% no preço do combustível nas refinarias, mas ainda não inclui os efeitos do aumento no preço do GLP (de 10,78% nas capitais e de 10,29% nas cidades do interior) e do diesel.
O impacto do diesel no custo de vida é indireto e em proporções diferentes em cada segmento da economia, ao aumentar o custo de transporte das mercadorias. Antes do aumento dos combustíveis, o Dieese estimava um índice em torno de zero para dezembro. ‘‘Agora só não vai dar positivo se outros itens tiverem uma queda muito superior ao previsto’’, diz a supervisora do índice, Cornélia Nogueira Porto.
‘‘O diesel tem impacto em toda a cadeia produtiva, com peso maior nos produtos de menor valor agregado’’, diz Cornélia. O aumento da gasolina tem peso maior no orçamento das famílias de renda mais alta, enquanto a alta do diesel pode elevar o custo do transporte coletivo, que pesa mais no bolso dos mais pobres.
A retirada do subsídio à gasolina deve reverter boa parte da redução de preço ocorrida no varejo este ano, obtida após a desregulamentação do setor. O ICV mostra redução de 10,86% nos últimos 12 meses e queda de 12,9% desde o início do ano. Já o transporte coletivo e GLP ficaram mais caros este ano. O GLP ficou 14,58% mais caro desde o início do ano e acumula alta ainda maior, de 17,4%, nos últimos 12 meses. O peso do GLP no custo de vida é de 0,66% em média.

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