Impacto nos municípios é de R$ 48 bi em um ano, aponta estudo


Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

Os resultados estimados pelo Sicredi a partir da pesquisa feita em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) consideraram o bom desempenho econômico de 1,4 mil municípios que passaram a contar com uma ou mais cooperativas entre 1994 e 2017, período analisado no estudo. Os cálculos mostram um impacto agregado nestas cidades de mais de R$ 48 bilhões em um ano. As cooperativas também foram responsáveis pela criação de 79 mil novas empresas e de 278 mil postos formais de trabalho. O estudo utilizou a metodologia de Diferenças-em-Diferenças, principal método científico para avaliações de impacto de políticas públicas no mundo.

A pesquisa da Fipe calculou ainda o Multiplicador do Crédito Cooperativo, coeficiente que indica o impacto do crédito concedido pelas cooperativas no PIB brasileiro. Cada R$ 1 concedido em crédito gera R$ 2,45 no PIB da economia e a cada R$ 35,8 mil concedidos pelas cooperativas, uma nova vaga de emprego é criada no País.



O cooperativismo de crédito se desenvolveu a partir de regulações do BC (Banco Central) que tornaram a gestão desse modelo de negócios mais profissionalizada, especialmente a partir de 2009, com a Lei Complementar 130, que dispõe sobre o SNCC (Sistema Nacional de Crédito Cooperativo), e a criação, em 2013, do FGCoop (Fundo Garantidor do Cooperativismo), que garante os depósitos até R$ 250 mil.

No início de janeiro deste ano, durante apresentação do balanço da Agenda BC#, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, desenhou as metas para o cooperativismo que visam a melhor distribuição dos recursos até 2022. Para os próximos dois anos, o órgão regulador financeiro estabelece o aumento de 40% de participação de cooperados no SNCC, aumento da quantidade de cooperativas de crédito para pelo menos 20% do Sistema Financeiro Nacional e alta de 50% no número de cooperados de baixa renda.

“A gente (cooperativas) aparece como uma válvula importante do aumento da competição do setor bancário, incluindo pessoas que estavam fora, com uma gama de produtos idênticas (ao dos bancos tradicionais) e isso acaba impactando”, avaliou o economista-chefe do Sicredi, Pedro Ramos, responsável pela pesquisa desenvolvida em parceria com a Fipe.

Entre 2013 e 2018, apontou Ramos, a carteira de crédito do cooperativismo cresceu 8%. “Quando se fala em ativos totais, houve um crescimento robusto desde 2000. Nos últimos 20 anos, o cooperativismo de crédito no Brasil só deixou de crescer em 2017 se mostrando superimportante para apoiar empresas e pessoas no momento de dificuldade.” Em cinco anos, destacou Ramos, a média anual de expansão das cooperativas foi de 7,9% enquanto as demais instituições financeiras permaneceram praticamente estáveis, com retração de 0,6%. “O cooperativismo se apresenta como um modelo diferente de inclusão financeira e tem uma aderência muito grande com a população.”

Coordenador do Conselho Consultivo Nacional do Ramo de Crédito do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e presidente nacional do Sicredi, Manfred Dasenbrok lembra que embora o cooperativismo no Brasil tenha uma história centenária, a estabilização só aconteceu a partir do ano 2000, com a estabilização econômica. “São 15, 20 anos de tração que se deve a um excelente arcabouço regulatório e normativo que tem no Brasil.”

Dasenbrok enxerga um enorme potencial de crescimento do setor, que atua para atender as categorias e classes menos assistidas, incluindo no sistema financeiro a população de comunidades onde as instituições financeiras tradicionais não chegam ou deixaram de atender, enquanto compete com os bancos nas médias e grandes cidades. “Houve a profissionalização das cooperativas, em tecnologia, treinamento, capacitação e atendimento e não devem nada aos grandes bancos e isso nos projeta um crescimento diário de adesão de associados.”

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