Brasília - O impacto da desvalorização cambial no mês de setembro, de 28,87%, sobre o estoque da dívida pública mobiliária federal interna foi de R$ 58 bilhões.
O chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central, Sérgio Goldenstein, explicou que o impacto líquido sobre a dívida atrelada ao câmbio foi de R$ 50,1 bilhões, já que houve um resgate de títulos cambiais de R$ 7,1 bilhões. Segundo ele, esse aumento foi de R$ 33 bilhões sobre o estoque de títulos públicos cambiais e o restante sobre as operações de ''swap'' cambial realizadas.
Goldenstein disse que, se não fosse a desvalorização cambial, a trajetória da dívida mobiliária seria de queda. Segundo ele, convertendo-se o valor da dívida em dólares, o estoque em dezembro de 2001 seria de US$ 77 bilhões e, em setembro de 2002, de US$ 68,8 bilhões.
Títulos - Os vencimentos de títulos cambiais, que são os papéis que têm pressionado a alta do dólar, somam R$ 36,371 bilhões de novembro deste ano até março de 2003. Os dados constam do relatório da dívida pública mobiliária federal interna, divulgado hoje pelo Banco Central e Tesouro Nacional.
Somente em novembro e dezembro os vencimentos somam R$ 23,518 bilhões, sendo R$ 16,227 bilhões em novembro e R$ 7,291 bilhões em dezembro. O coordenador-geral da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Paulo Valle, afirmou que o colchão de liquidez que o governo tem é adequado para fazer frente a essa dívida em dólar do Tesouro. Segundo ele, o prazo médio da dívida cambial do Tesouro é de mais de 30 meses.
''Se o dólar permanecer nesse patamar (atual) até o final do ano e depois recuar, o único impacto na dívida será efetivamente nesses dois meses, que são vencimentos pequenos comparado ao estoque'', afirmou Valle.
O Tesouro tinha ao final de setembro uma reserva de R$ 60 bilhões, que é o chamado colchão de liquidez, para ser usada no caso de não se conseguir rolar os vencimentos. Segundo Valle, a expectativa é de que esse colchão aumente, em razão dos superávits primários que serão obtidos e das rolagens que eventualmente serão feitas.
''O dinheiro que a gente tem em caixa seria suficiente para pagar todas as despesas que temos até o final do ano'', disse.
Somando todos os vencimentos, incluindo o de cambiais, estão previstos em novembro e dezembro um total de R$ 67,285 bilhões de vencimentos. Para o primeiro trimestre de 2003, os vencimentos somam R$ 36,168 bilhões, sendo R$ 12,853 bilhões de títulos cambiais.
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