Impacto do IOF é tímido, dizem técnicos
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sexta-feira, 10 de julho de 1998
Agência Estado 
A redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) terá um impacto positivo localizado nas vendas a prazo de eletroeletrônicos. A queda do imposto, contudo, não será suficiente para acelerar o ritmo da atividade econômica e por isso não fez os economistas revisarem suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1998. Para eles, é muito otimista a previsão do governo de que esta medida permitirá encerrar o ano com um PIB 2% superior ao do ano passado.
Para os economistas, o ritmo de atividade neste início de segundo semestre está mais fraco que o esperado - situação comprovada pela concessão de férias coletivas em montadoras e na indústria de eletroeletrônicos, aumento do desemprego, inadimplência estável em níveis altos, queda de vendas nas montadoras, etc). Essa situação, avaliam, fez o governo reduzir o IOF com o objetivo de induzir um ritmo mais acelerado para a economia.
Cálculos do diretor do Departamento de Economia do Banco BMC, Marcelo Allain, mostram que a queda da alíquota do IOF de 15% para 6% ao ano provoca uma redução na prestação de 1,8% nos crediários de quatro meses e de 5,5% nos de 24 meses, considerando sempre uma taxa mensal de juros de 5%. Quanto maior o prazo, maior a queda, observa. Ele espera impacto maior sobre as vendas de eletrodomésticos e quase nulo sobre automóveis, onde o juro oferecido pelos bancos das montadoras já estava em 1% ao mês na modalidade de leasing.
O impacto sobre a atividade será muito pequeno, pondera Denise de Pasqual, da Tendências Consultoria. Na sua avaliação, apenas uma parte dos R$ 3 bilhões que bancos e financeiras deixaram de emprestar desde a crise asiática voltará para o mercado. Para Denise, o IOF é apenas um dos componentes do custo dos financiamentos. A principal causa dos financiamentos caros é o risco embutido na operação de crédito. Em automóveis, pondera, o juro é bem menor porque o bem pode ser retomado. Em eletroeletrônicos o juro é bem maior porque a possibilidade de retomada é quase nula.
O diretor-financeiro do Bicbanco, Paulo Mallmann, diz que a redução do IOF é positiva, mas que o governo deveria ter eliminado o imposto totalmente. Este é um tributo injusto porque ele penaliza mais as pessoas de baixa renda, que precisam comprar a prazo, pondera. Esta medida vai estimular muito pouco as vendas porque a queda no valor das prestações será muito pequeno, acrescenta. Mallmann quer que o governo adote outras medidas que abram as comportas do crédito.
O economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate, concorda que a queda do IOF sozinha é uma medida com poucos resultados concretos. Ele acredita, contudo, que a redução terá um aspecto positivo sobre as expectativas porque mostra para financeiras e varejo que o governo está atento e olhando com atenção para o nível de atividade da economia.
Os efeitos da redução do IOF de 15% para 6% no varejo começarão a ser sentidos apenas no 4º trimestre, segundo avaliação do analista Eduardo de La Pe¤a, do Banco Bozano,Simonsen. Para ele, mesmo com essa redução, a taxa de juros ainda vai demorar um pouco para chegar ao consumidor. Isso porque a taxa cobrada no crediário inclui, além do IOF e dos juros, os altos índices de inadimplência. Há sinais de queda nos créditos em atrasos, o que permitiria uma pequena redução nos juros ao consumidor.


