Maringá - ''Banco Central age certo, mas com sete meses de atraso''. Essa é a avaliação do economista Antônio Delfim Netto, que esteve em Maringá nessa semana. Ele é contra aumentos no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e diz que redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) só é válida se houver confiança na manutenção dos empregos
Para o economista, a intensidade da crise no Brasil foi provocada por conta da incapacidade do BC em dar rapidamente ao sistema financeiro a confiança que precisava para que não ocorresse uma restrição de crédito. ''Importamos a crise de confiança, quando deveríamos ter estimulado o crédito interbancário'', afirma.
Na opinião dele, o Brasil deve demorar de 12 a 20 meses para recuperar os níveis de crescimento registrados até setembro de 2008. Mas o próprio Delfim diz que as previsões podem não valer nada. ''O que vai ser 2009? Vai ser o que formos capazes de fazer com o suporte do governo. Depende mais da iniciativa privada'', afirma.
Sobre a redução do IPI, Delfim afirma que o governo agiu de forma correta, mesmo com dúvidas quanto ao impacto da medida. Para o economista, a medida só estimulou quem acredita que continuará empregado e, se existe dúvida, o consumo permanecerá retraído.
No que diz respeito à queda do FPM e na recente sinalização do governo em reduzir essas perdas, o economista diz que é contra qualquer ajuda financeira. ''Cada um deveria correr seus riscos. Os municípios tiveram o maior aumento de receita nos últimos anos. Cresceram, mas gastaram. E gastaram basicamente em pessoal e salário. Honestamente, não dou voto a favor disto.''
Para o economista, os juros permanecem muito altos. Ele diz que o Copom deveria reduzir os juros em ao menos um ponto percentual na próxima reunião. ''Mas vão reduzir muito menos do que poderiam.''

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