São Paulo - O impacto da redução da tarifa de energia elétrica na inflação do consumidor desaparecerá em março. A avaliação é do professor de econometria e coordenador nacional do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Pichetti. A questão é explicada pela estatística. Ou seja, o impacto da redução da tarifa de energia elétrica, em vigor desde o final de janeiro, entra na conta de inflação em fevereiro, mas em março ele será zerado.
De acordo com Picchetti, a redução da tarifa barateia a conta de luz para sempre, o que não deixa de ser uma redução importante de custo, especialmente para a indústria, e que certamente vai gerar efeitos secundários, mas para efeito de inflação o impacto se esgota dentro do mês. "A inflação de fevereiro vai ter folga, em grande parte por conta da energia elétrica cujo impacto será de menos 0,6 ponto porcentual. Tanto que, se não fosse a energia, o IPC-S de fevereiro fecharia em 0,80%", diz Picchetti.
Isto significa que, descontada a redução da energia elétrica, o que se observa é que os demais preços da economia estão bastante pressionados. Deve ser por conta disso, avalia o coordenador do IPC-S, que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou estar preocupado com a resistência da inflação nos últimos meses.
"É pertinente a preocupação do Tombini porque os preços em geral estão em alta e, a despeito da redução da tarifa de energia, tem coisas pela frente para as quais temos que prestar atenção. Discute-se que o aumento dos combustíveis não foi suficiente e que poderão vir outros aumentos ao longo do ano. Tem também os aumentos encomendados", alerta Picchetti. Na verdade, de acordo com ele, esta preocupação demonstrada agora pelo presidente do BC já vem de longo tempo por parte dos analistas do mercado.
Picchetti diz estar otimista com a possibilidade de a entressafra agrícola de grãos do Brasil neste ano ser maior que a do ano passado. Mas ele destaca, no entanto, que a ajuda se concretizará ao longo do ano e que no curto prazo é a pressão dos produtos in natura que preocupa. Contudo, ele ainda mantém a previsão de 5,5% de inflação pelo IPC-S no final deste ano. "É muito cedo ainda para se revisar a projeção", diz.

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