Curitiba - O preço de itens básicos de alimentação sofreu um reajuste médio de 1,04% no mês de junho. Apesar disso, a cesta básica acumula no primeiro semestre uma retração de 6,92%. ''Há uma tendência clara de deflação nesses itens que foi afetada pela alta dos preços dos hortifrutigranjeiros por causa do clima e do leite'', explica o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Para Cordeiro, a baixa registrada nos últimos meses é uma retomada dos preços que sofreram alta no fim de 2008 e início de 2009. ''Os dados apontam que teremos um ano de baixa variação nos preços dos alimentos'', diz.
Os itens com maior retração no preço em junho foram o feijão, arroz e a batata. A carne teve uma deflação de -1,17%. Apesar de pequena, essa queda no preço da carne tem impacto significativo no preço final da cesta. ''A carne representa 36% da composição do preço da cesta. Então mesmo que a retração no preço do quilo tenha sido pequena, o impacto é grande'', avalia Cordeiro.
Já o tomate e o leite são os vilões do preço dos alimentos em junho. ''O preço do tomate sobiu por conta do impacto do clima na produção'', aponta. No entanto, o quilo do tomate acumula baixa de 22,14% no ano e de 23,24% nos últimos doze meses. Já o leite apresenta alta de 48,23% no ano e de 32,28% nos últimos doze meses. ''Isso é resultado da retração na produção, da restrição a importação e a seca que afetou a região Sul nos últimos meses'', explica.
Para Cordeiro, o destaque dos dados de junho da cesta básica é a redução do nível de comprometimento do salário mínimo. ''Em junho o trabalhador gastou 45,92% do salário com a cesta básica. Em 2008, 55% do salário ficava comprometido com a alimentação'', aponta.
''Isso significa que houve um aumento real no valor do salário mínimo e o poder de compra do consumidor ficou protegido. É justamente por isso que o impacto da crise econômica no país foi menor do que o esperado'', analisa.

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