São Paulo - Os imóveis entre R$ 70 mil e R$ 100 mil podem ser os maiores beneficiados pela Resolução Nº 3.005 do Banco Central (BC). Conhecido como ''buraco negro'' do setor, essa faixa de imóveis é a que mais sofre, atualmente, para captar recursos para produção e aquisição. Com a nova resolução, os bancos privados terão mais estímulos para apoiar essa faixa de imóveis.
A resolução determina critérios para o retorno de créditos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) ao financiamento imobiliário. O objetivo é fazer com que os bancos apliquem efetivamente 65% dos recursos de poupança no setor. Até agora, os créditos pendentes de FCVS eram computados, o que reduzia o montante efetivo para financiamento.
Entre os critérios, o artigo 9º permite que, na composição da exigibilidade, os bancos multipliquem, pelo coeficiente 1,5, o valor investido na produção e aquisição de imóveis até R$ 100 mil, nos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro, e até R$ 80 mil nas outras cidades do País. ''Os bancos terão mais interesse em aplicar recursos nesta faixa'', afirmou o vice-presidente de Incorporação Imobiliária do Sindicato da Habitação do Estado (Secovi-SP), Basílio Jafet.
A oferta de dinheiro certamente encontrará uma demanda reprimida, segundo o diretor de Novos Negócios da Lopes Consultoria de Imóveis, Tomás Salles. ''A faixa entre R$ 60 mil e R$ 100 mil está muito mal atendida pelo crédito bancário'', argumentou. Caso o incentivo se efetive, Salles acredita no incremento de vendas. ''Neste ano, o valor médio de nossas vendas está em R$ 130 mil por unidade. O dinheiro atingiria em cheio o segmento em que trabalhamos'', disse.
Em entrevista em Brasília, o direto de Normas do BC, Sérgio Darcy, estimou em R$ 33,7 bilhões o volume de recursos que retornará ao crédito imobiliário, nos próximos 100 meses. Do total, R$ 18,722 bilhões serão desembolsados a partir de 1º de setembro. Outros R$ 15 bilhões provêm de créditos ainda não reconhecidos pelo Tesouro Nacional. Darcy estimou que a resolução canalize cerca de R$ 200 milhões por mês para o setor.
Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Luis Roberto Andrade Ponte, o dinheiro beneficiará sobretudo a classe média. ''Essa camada passa a contar com um mecanismo de financiamento de longo prazo'', afirmou. Ponte acrescenta que, desde a extinção do Banco Nacional da Habitação (BNH), na década de 80, a classe média encontra dificuldades para financiar seus imóveis.
O vice-presidente de Mercado de Capitais do Secovi-SP, Arthur Parkinson, concorda. Ele lembra que os recursos deverão ser aplicados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), através do Sistema Brasileira de Poupança e Empréstimo (SBPE). Isto significa qu e o financiamento fica restrito a, no máximo, R$ 150 mil, para imóveis avaliados em até R$ 300 mil.
O artigo 1º da regulamentação determina que 52% dos recursos oriundos do FCVS sejam aplicados sob os critérios do SFH. ''Na média, esses recursos ficarão para imóveis de R$ 150 mil'', estimou Parkinson.

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