Imóvel, ativo em alta
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quinta-feira, 19 de setembro de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
Londrina - A instabilidade do mercado, com dólar nas alturas, descontentamento com os rendimentos das aplicações financeiras e proximidade das eleições, tem levado o investidor a apostar no setor imobiliário, que registra, há cerca de 90 dias, um período bastante satisfatório como não se via há alguns anos. Na região de Londrina, o volume de negócios concretizados cresceu cerca de 20% nos últimos três meses, puxando também o valor dos imóveis, que chegou a ter um acréscimo de até 30%.
De acordo com corretores ouvidos pela reportagem da Folha, uma parcela significativa dos negócios envolve investidores que querem o imóvel para gerar renda. Vários fatores contribuem para o boom imobiliário do momento, mas um é citado com mais ênfase por corretores, que têm o contato direto com os compradores: a insegurança com relação aos rumos da economia com a possível eleição de um governo de oposição. Os bons preços dos produtos agrícolas e do boi também são fatores importantes para o aquecimento do mercado local.
''Estamos vivendo um bom momento. O mercado está com liquidez e os negócios dobraram nos últimos 60 dias'', atesta o imobiliarista Raul Fulgêncio. Ele destaca que havia uma demanda reprimida por imóveis e, agora, com todas as variáveis que causam insegurança ao investidor, os imóveis se tornaram um porto seguro para o dinheiro que estava aplicado no mercado financeiro.
Segundo Fulgêncio, os imóveis tiveram uma valorização de 30% e ainda tem margem para crescer um pouco mais e chegar ao preço de custo. ''O mercado não estava pagando o preço final, o que provocou muita quebra de construtoras'', comenta.
O imobiliarista Abílio Medeiros também observa que os preços estão melhores, mas não significa valorização. ''Há uns 90 dias, as propostas de compra estavam longe do preço real. Hoje, estão mais próximas'', diz ele. Medeiros informa que a procura tem sido por imóveis em geral, com destaque por terrenos em condomínios fechados. ''Estes são a mercadoria da hora'', comenta.
A busca por apartamentos pequenos para opção de investimento também está aquecida. O imobiliarista José Carlos Delalíbera informa que, em sua imobiliária, a preferência tem sido por imóveis na faixa de R$ 50 mil a R$ 80 mil. ''A procura por imóvel comercial também é grande, especialmente por aqueles que já estão alugados'', diz Delalíbera. Ele cita que os investidores não são apenas de Londrina. Segundo ele, vêm pessoas de toda a região e de outros Estados para comprar imóveis no município.


