Imóveis em Miami custam menos de um terço dos do Rio de Janeiro
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de setembro de 2011
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
O metro quadrado de um apartamento na areia da praia em Miami custa hoje menos de um terço do de um imóvel de frente para o mar na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, no Rio de Janeiro. E, no máximo, metade do de um apartamento na mesma condição em Jurerê Internacional, frequentada pelos ricos que vão a Florianópolis.
A bolha imobiliária que causou a crise de 2008 fez despencar os valores dos imóveis em todo os Estados Unidos. O metro quadrado na orla de Miami está em torno de US$ 4,5 mil (R$ 7,5 mil). Esse fato, somado à apreciação do real frente ao dólar, tornou a região um paraíso para turistas e investidores do Brasil.
No ano passado, segundo a Associação dos Corretores da Flórida, estado onde se localiza Miami, os brasileiros foram responsáveis por 9% das compras de imóveis. Neste ano, a previsão é de que esse índice atinja 20% do total de negócios.
''Você pode escrever sem medo de errar: a cada 10 apartamentos em prédios novos que vendemos em Miami, seis são para brasileiros'', afirma Marco Antonio Camargo Fonseca, corretor da Piquet Realty e presidente de Relações da NAR (Associação dos Corretores dos Estados Unidos) para o Brasil. ''É um momento único, de combinação de dólar baixo e preço de imóvel mais baixo ainda'', afirma.
Segundo ele, a maioria dos apartamentos hoje à venda na Flória ficou pronta antes da bolha estourar. ''Os bancos retomaram muitos dos imóveis que estavam sendo financiados pelos americanos'', conta. De acordo com Fonseca, parte dos imóveis é colocada em leilão. Mas a maioria é repassada para venda direta pelas imobiliárias. ''A grande maioria dos brasileiros compra apartamentos novos que podem ser financiados em condições bem atraentes para estrangeiros'', explica.
A entrada costuma ser de 40% do valor do imóvel e o restante é financiado em até 30 anos. ''Nos primeiros cinco anos, os juros são de 5,5% ao ano'', ressalta. Depois desse prazo, segundo ele, a lei permite um aumento de juros de até 2% ao ano, mas não pode ultrapassar 11,5% ao ano até o final do contrato.
Fonseca diz que o brasileiro geralmente adquire imóvel para passar férias em Miami. ''Mas têm aqueles que o fazem para investir e alugar'', complementa. Além do clima ameno, os brasileiros, segundo ele, gostam da cidade pela questão da segurança pública. ''Aqui, eles podem andar com o carro que sempre sonharam sem se preocupar com blindagem'', justifica.
A certa proximidade do Brasil - menos de 8 horas de voo de São Paulo - também é outro atrativo. ''Temos uma quantidade enorme de voos diários para Miami, saindo não só de São Paulo e Rio, mas de cidades como Belo Horizonte e Brasília'', salienta.
O corretor orienta os interessados em comprar imóveis nos Estados Unidos, mesmo aqueles que arranham o inglês, a procurarem um profissional que domine o português. ''Atualmente muitas imobiliárias aqui têm funcionários que falam o nosso idioma'', explica.
Apesar de a classe média alta optar por apartamentos na orla, onde o metro quadrado custa US$ 4,5 mil, há brasileiros que procuram imóveis em bairros afastados para investir. ''É possível encontrar pequenos apartamentos longe da praia por US$ 100 mil (R$ 167 mil). O dono pode alugar por cerca de US$ 1.100 (R$ 1.815)'', garante. Mas terá de arcar com cerca de US$ 300 dólares (R$ 500) de impostos e condomínio, que nos Estados Unidos ficam por conta do proprietário.
De acordo com Fonseca, a melhor opção para os estrangeiros é comprar como pessoa jurídica. ''Damos essa orientação para que a pessoa se proteja dos impostos na hora de revender e também no caso da morte do proprietário'', ressalta. O processo de montagem de uma empresa para esse fim, segundo ele, é simples (leia dicas do corretor nesta página).


