São Paulo - As remessas de recursos de trabalhadores imigrantes de países em desenvolvimento para suas nações de origem no ano passado somaram US$ 93 bilhões, cifra 20% maior que a de 2002 e 200% superior à verificada em 1990, de acordo com dados divulgados pelo Banco Mundial (Bird) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na reunião anual de primavera dos dois organismos multilaterais de financiamento, que terminou ontem em Washington.
Essa quantidade de recursos foi apenas 21,8% inferior ao volume total de investimento estrangeiro direto (IED), que somaram US$ 119 bilhões no ano passado. Esses números mostram que, enquanto as ajudas oficiais e os fluxos de capital aos países em desenvolvimento vêm diminuindo nos últimos anos, as remessas se transformaram em fonte estável e crescente para essas nações.
Por isso, os ministros de Economia e Finanças do G-7, os países mais ricos do planeta (Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá), decidiram iniciar uma série de ações que permitam reduzir os custos das remessas de imigrantes para seus países de origem. Embora tenha caído de 15% para 8% sobre o montante enviado, o custo das remessas ainda é considerado excessivamente alto pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que, na sua reunião anual em Lima, ao final de março, deu um duro ''puxão de orelha'' nos governos dos países da América Latina e do Caribe e às instituições financeiras da região por não estarem ''facilitando'' o fluxo de bilhões de dólares que os trabalhadores latino-americanos enviam para seus respectivos países.
No comunicado divulgado no fim de semana, os ministros do G-7 acrescentam que vão buscar mecanismos para integrar as remessas dos trabalhadores imigrantes ao setor financeiro formal. Até pouco tempo atrás, esses fluxos de recursos eram transferidos por meio de empresas especializadas, como o Western Union ou o Money Gram. Recentemente, porém, os principais grupos financeiros do mundo descobriram um verdadeiro ''nicho'' de oportunidades para lucrar com as remessas.
O informe do Bird e do FMI indica ainda que a região que recebeu maior fluxo de remessas no ano passado foi a América Latina e Caribe, com US$ 29,6 bilhões, dos quais US$ 13,2 bilhões, mais da metade, foram enviados para o México. Esse montante, entretanto, não bate com os números do BID, que calcula que as remessas dos latino-americanos e caribenhos em 2003 somaram US$ 38 bilhões, cifra que superou, em muito, o investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina e acima dos US$ 32 bilhões verificados no ano anterior.
De qualquer forma, o Bird e o FMI informam que, entre 1990 e 2003, as remessas para a América Latina cresceram 419%, passando de US$ 5,7 bilhões para quase US$ 30 bilhões. A segunda região que mais recebeu recursos é o sul da Ásia, com US$ 18,2 bilhões, 225% a mais do quem em 1990. Depois estão as nações da Ásia oriental e o Pacífico, com US$ 17,6 bilhões.
''Depois dos incrementos registrados nos anos 90, as remessas dos trabalhadores imigrantes para seus países de origem se transformaram na segunda fonte de recursos para as nações em desenvolvimento, atrás apenas do investimento direto'', diz o comunicado do Bird. Em alguns casos, como o do México, por exemplo, as remessas de seus cidadãos no exterior superaram o IED.
O informe das duas instituições multilaterais indica que os ''grandes'' esforços dos últimos anos para combater a lavagem de dinheiro e para reduzir as possíveis fontes de financiamento para ações terroristas contribuíram para que os fluxos de remessas sejam canalizados cada vez mais pelos sistemas financeiros formais. As remessas são transações privadas, entre famílias, mas que têm impacto público.
O BID acredita que as remessas podem multiplicar o impacto do desenvolvimento. Os números, de fato, impressionam. Segundo o BID, atualmente existem cerca de 25 milhões de famílias que moram fora da América Latina e do Caribe, dos quais mais de 75% enviam dinheiro para seus países.

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