Washington - Imigrantes legais e ilegais vivendo nos Estados Unidos enviarão cerca de US$ 30 bilhões neste ano aos países da América Latina, segundo estudo inédito do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Até o final de 2004, quase 20% desse total terá como destino o Brasil. Nos últimos três anos, os brasileiros dobraram o volume de remessas de dinheiro a seus familiares. O montante passou de US$ 2,6 bilhões em 2001 para US$ 5,2 bilhões no ano passado.
As remessas ao Brasil em 2003 equivalem à metade de todos os investimentos estrangeiros diretos recebidos oficialmente pelo País no ano passado. Atualmente o Brasil só perde para o México no ranking dos países que mais recebem dinheiro de imigrantes trabalhando nos Estados Unidos.
O estudo do BID revelou que o trabalho e a renda dos cerca de 16,7 milhões de latino-americanos vivendo nos EUA equivalem hoje a cerca de US$ 450 bilhões ao ano, um valor somente inferior ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e do México. O levantamento foi realizado em 37 Estados e no Distrito de Columbia, onde fica Washington, e mostrou que vários segmentos de negócios nos EUA começam a atrair uma nova onda de imigrantes ao país.
Embora Estados como a Califórnia e Nova York continuem sendo os principais destinos de imigrantes nos EUA, outros como Geórgia, Carolina do Norte e Virgínia vêm ganhando destaque entre as regiões que mais remetem dinheiro para os países da América Latina.
A pesquisa do BID ouviu 3.802 latino-americanos e revelou que os imigrantes remetem, em média, quantias mensais entre US$ 150 e US$ 250 a seus países. Do total de 16,7 milhões de latino-americanos vivendo nos EUA, 10 milhões enviam dinheiro regularmente a seus familiares.
O número de brasileiros legais e ilegais vivendo nos Estados Unidos pode chegar hoje à casa do 1 milhão, segundo estimativa feita pela Embaixada do Brasil em Washington.
Os US$ 30 bilhões a serem remetidos em 2004 vão ultrapassar várias vezes o total da ajuda a esses países oferecida por instituições oficiais como o próprio BID e o Banco Mundial.
Para Donald Terry, gerente do BID, ''as remessas revelam a integração cada vez maior do mercado de trabalho em toda a região''. Do total de entrevistados, 32% afirmaram estar trabalhando ilegalmente nos EUA e apenas a metade afirmou possuir conta bancária no país.
O secretário-assistente do Tesouro norte-americano Sam Bodman afirmou ontem que as remessas de dinheiro de imigrantes a seus países de origem, nos EUA e em outras regiões do mundo, devem ser ''uma das prioridades'' da reunião do G8 (grupo das sete nações mais ricas, mais a Rússia), em junho. Cerca de 80% das transferências de dinheiro para a América Latina são feitas hoje por meio de empresas que cobram altas taxas pelo serviço, e o objetivo será encontrar mecanismos que diminuam o custo da intermediação.

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