Imigrantes enviam US$ 5,2 bi ao Brasil
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Agência Estado 
Genebra - O Brasil é o segundo país na América Latina que mais se beneficia dos recursos enviados por seus cidadãos que vivem no exterior. Por ano, são remetidos ao País US$ 5,2 bilhões.
Segundo dados da Organização Internacional de Migrações (OIM), os imigrantes mexicanos são os que mais destinam recursos ao país de origem. Em 2003, esse volume chegou a US$ 13,2 bilhões, vindo principalmente dos Estados Unidos.
O volume que entra de dinheiro no Brasil é equivalente a todo os recursos que imigrantes argentinos, uruguaios, venezuelanos, colombianos, bolivianos, panamenhos, hondurenhos e equatorianos enviam todos os anos a seus respectivos países.
Segundo a OIM, imigrantes sempre enviaram dinheiro para ''casa''. Mas, nos últimos 20 anos, o fluxo se consolidou na direção dos países mais pobres. Para algumas economias, esse dinheiro se tornou uma das principais fontes de divisas e em outros, como no México, foi utilizado para financiar investimentos.
No total, o Banco Mundial aponta que, em 2001, US$ 72 bilhões foram enviados por imigrantes de volta a seus países, volume duas vezes superior ao registrado em 1988. De todas as regiões do mundo, a América Latina e o Caribe recebem a maior proporção de remessas, quase US$ 25 bilhões, seguidos da Ásia, com US$ 16 bilhões.
Os recursos têm reflexos importantes nas economias latino-americanas. As remessas para a República Dominicana e Honduras, por exemplo, representam mais de 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Em El Salvador, que em 2003 recebeu US$ 2,3 bilhões, esse dinheiro representa 80% dos fluxos financeiros totais do país.
A OIM ainda aponta que o Brasil começa a se utilizar de forma eficaz desses recursos, enviados por 1,6 milhão de cidadãos vivendo no exterior. Segundo a entidade, o Banco do Brasil está usando as remessas como garantias de fluxos futuros de recursos de outras fontes, como as exportações petrolíferas ou as compras feitas por meio de cartões de créditos no exterior. Outro exemplo: o banco emitiu obrigações por um valor de US$ 300 milhões como garantia por futuras remessas em ienes dos trabalhadores brasileiros que vivem no Japão. Essas obrigações foram cotadas a um valor superior às próprias obrigações brasileiras no mercado financeiro internacional.


