ILS reduz cancelamentos e melhora tráfego aéreo em Londrina
Em cinco meses de funcionamento, equipamento de auxílio a pousos em condições climáticas ruins diminuiu os problemas operacionais no aeroporto
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de maio de 2026
Em cinco meses de funcionamento, equipamento de auxílio a pousos em condições climáticas ruins diminuiu os problemas operacionais no aeroporto

Cinco meses após o início do funcionamento do ILS (Instrument Landing System ou Sistema de Pouso por Instrumentos, em português) no Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, a avaliação do setor produtivo local é que o aparelho de auxílio a pousos em condições climáticas ruins melhorou o tráfego aéreo e reduziu consideravelmente os problemas operacionais no terminal em dias de muita chuva e neblina. Como resultado, reduziram os atrasos e cancelamentos de voos.
A instalação do equipamento era uma reivindicação muito antiga da sociedade londrinense e foi objeto de discussão de todas as administrações municipais e entidades de classe em mais de duas décadas. O ILS era considerado peça essencial para o desenvolvimento econômico da cidade e foi preciso muito investimento financeiro e pressão política até que o instrumento entrasse em operação, em 10 de dezembro de 2025, data do aniversário da cidade.
A Motiva, concessionária responsável pela administração do aeroporto londrinense, não possui dados que demonstrem os benefícios do equipamento para as atividades aeroportuárias. Os atrasos e cancelamentos são computados, mas nem sempre essas ocorrências estão relacionadas a fatores climáticos e esse recorte não faz parte dos dados estatísticos da empresa.
Por orientação da Motiva, a reportagem solicitou um levantamento à NAV Brasil, empresa pública federal vinculada ao Ministério da Defesa, por meio do Comando da Aeronáutica. O pedido, no entanto, não foi respondido até o fechamento desta edição.

Na última sexta-feira (15), quando o mau tempo predominou durante a maior parte do dia, a reportagem apurou que um voo da Azul, que havia decolado de Campinas (SP), pousou tranquilamente no aeroporto londrinense, às 10 horas. Mas um outro voo que havia saído de Congonhas (SP), operado pela Gol, arremeteu após a primeira tentativa de pouso em Londrina por causa da forte neblina que cobria a pista. A aterrissagem aconteceu cerca de 25 minutos depois, em uma segunda tentativa, por volta das 11h35.
Muitas das entidades de classe envolvidas na mobilização pela instalação do ILS no Aeroporto de Londrina estão representadas na Comissão de Desenvolvimento e Infraestrutura de Londrina e Região, na qual foi criado um grupo de trabalho específico para discutir a infraestrutura aeroportuária no município. Além de instituições da sociedade civil organizada, a comissão também conta com a participação de lideranças políticas da região.
Uma das entidades com cadeira na comissão é a Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina). O vice-presidente, Gerson Guariente, citou dados extraoficiais que a comissão reuniu sobre as operações aeroportuárias em dias de chuva. “Em uma reunião que fizemos, há 15 dias, foi comentado que recentemente, quando tivemos três dias chuvosos seguidos, perdemos apenas um voo, mas recepcionamos três ou quatro voos de Maringá que não conseguiram descer lá e desceram aqui.”
As reclamações, antes constantes, também diminuíram. “Nos últimos meses, apenas um empresário me procurou relatando atraso no voo. A gente tem a impressão de que venceu uma etapa muito importante, que o ILS está sendo extremamente útil”, afirmou Guariente. “Esse ILS é de categoria 1, não garante 100% dos pousos em qualquer condição. A proposta era reduzir e minimizar as perdas de horário para 2% ou 3%”, destacou o vice-presidente da Acil.
Vencido esse obstáculo, o grupo de trabalho do aeroporto na comissão de infraestrutura agora está debruçado sobre as tratativas para viabilizar a construção da nova taxiway. A obra irá permitir que um avião decole enquanto outro estiver realizando manobras, diminuindo o intervalo entre pousos e decolagens. O projeto da nova pista foi doado ao município por um empresário e nas reuniões o objeto de discussão é de onde sairão os recursos financeiros para a execução.
“Paralelamente a isso, virou uma rotina, a cada dois ou três meses, conversar com as companhias para solicitar mais voos, escalas e horários. A gente já conseguiu aumentar bastante os voos do ano passado para cá e já estão vindo aeronaves maiores para cá. Há alguns dias, nos reunimos com a Latam, em São Paulo, há uns 60 dias, fizemos uma reunião com a Azul e com a Gol, há uns 90 dias. Todas elas nos deram boas perspectivas”, disse Guariente.
O superintendente do Grupo Folha de Londrina, José Nicolás Mejía, que também integra a Comissão, destaca que, depois de mais de cinco meses de operação do ILS, é possível ver melhorias significativas nas condições no aeroporto, garantindo, principalmente, "a segurança de que os voos realmente vão pousar".
De acordo com o superintendente, o equipamento "foi um investimento resultado de uma luta da iniciativa privada junto com o poder público, tanto nível municipal, estadual e federal". Com a consolidação do projeto, Mejía projeta os próximos passos para a região. "Os resultados estão aí. Isso é um incentivo para a gente continuar trabalhando pelo desenvolvimento de Londrina e que os investimentos que ainda virão são sempre um motivo para atrair investimentos para nossa cidade."


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


