Curitiba - As mulheres estão tendo uma penetração cada vez maior no mercado de trabalho brasileiro, e a tendência é de que passem a ser maioria entre os trabalhadores do País. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no segundo semestre do ano passado, no ano retrasado as mulheres representavam 42,42% entre os trabalhadores ocupados brasileiros. Em 2001, essa participação era de 40,27%.
Lenina Formaggi, economista da representação paranaense do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), aponta alguns fatores principais para esse crescimento. ''Além da própria evolução da sociedade, em que a mulher passa a exercer um papel além da vida doméstica, existe a necessidade do mercado de atrair mais trabalhadores, e nisso as mulheres vão sendo incorporadas. Outra questão importante é que os setores de serviços e comércio cresceram muito nos últimos anos, e essas são áreas que empregam muitas mulheres'', explica.
A economista estima que, se os índices médios de crescimento da participação da mulher no mercado de trabalho se mantiverem, até 2030 haveria uma igualdade de gêneros ou até mesmo uma pequena vantagem feminina.
''Mas é necessário ver a velocidade com que vai crescer o emprego para homens e mulheres, e como vai ser o crescimento da economia daqui para frente. Se houver estabilidade econômica, como a que tivemos nos últimos anos, (a maioria feminina) pode acontecer'', descreve Lenina. No Sul do Brasil, de acordo com a Pnad, as mulheres têm participação maior em comparação com a média geral do País: eram 44,1% do total de trabalhadores empregados em 2008. Em 2001, representavam 41,47%.
Apesar da maior inserção no mercado de trabalho, as mulheres continuam ganhando menos do que os homens. A Pnad apontou que a renda média mensal real dos homens empregados em 2008 no Brasil era 39,69% superior à das mulheres. ''Isso tem a ver com o fato da mulher exercer menos cargos de chefia'', explica Lenina. ''A mulher acumula funções, cuida mais da casa, e isso interfere no momento dela chegar a cargos mais elevados. Mas a tendência é de equiparação dos salários nos próximos anos'', diz a economista.

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