IGPs mostram fim de tendência de deflação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
A tendência de deflação chegou ao fim nos Índices Gerais de Preços (IGPs) calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É o que mostrou ontem a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), usado para reajustar aluguéis e que subiu 0,27% em janeiro após cair 0,16% em igual prévia em dezembro. O índice foi pressionado por aumentos generalizados no atacado, e inflação mais intensa dos alimentos no varejo.
''A primeira prévia mostra que a deflação vai ficar cada vez mais episódica, pontual. Pode até acontecer novamente, mas não mais como regra, em sequência, como foi no ano passado'', explicou o coordenador da FGV, Salomão Quadros. Para ele, o índice deve fechar janeiro em alta, um resultado bem distante do de dezembro (-0,26%).
Na primeira prévia (entre 21 e 31 de dezembro), os preços no atacado voltaram a subir (de -0,35% para 0,25%) de dezembro para janeiro. Houve altas nos setores agrícola e industrial. No agropecuário, os preços dos alimentos in natura saíram de uma queda de 5,58% para uma elevação de 0,94% da primeira prévia de dezembro para igual prévia em janeiro, movimento natural no início do ano.
Além disso, os preços dos alimentos processados também pararam de cair (de -0,76% para 1,75%) e vários itens industriais de peso no cálculo da inflação do varejo estão mostrando deflações mais fracas, ou até mesmo aumento de preços. É o caso de materiais para manufatura (-0,85% para -0,01%), como ferro-gusa (1,69% para 7,75%); e fertilizantes (-6,92% para 2,81%).
No varejo, a inflação sentida pelo consumidor quase quadruplicou (de 0,13% para 0,40%) da primeira prévia de dezembro para igual prévia em janeiro. Os aumentos foram principalmente no setor de alimentação, que não mostra mais deflação (de -0,24% para 0,79%). O impacto de produtos in natura mais caros também atingiu o setor varejista, que mostrou fim de queda de preços de hortaliças e legumes no período (de -1,21% para 2,90%). Já os preços na construção civil assumiram trajetória contrária aos do atacado e do varejo e desaceleraram (de 0,28% para 0,07%), de dezembro para janeiro.


