IGPM fecha maio com deflação
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Agência Estado 
A Fundação Getúlio Vargas registrou deflação de 0,29% entre os dias 21 de abril e 20 deste mês, de acordo com o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) de maio, divulgado ontem. Foi a primeira deflação registrada por este índice desde novembro, quando houve queda de 0,32% do custo de vida.
Como vem acontecendo desde o início da queda do dólar, os preços dos produtos no atacado foram os principais responsáveis pela queda do custo de vida. O Índice de Preços por Atacado (IPA) teve deflação de 0,70%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que registra o custo de vida no varejo do Rio de Janeiro e São Paulo, teve alta de 0,22%. O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), que também é usado para a elaboração do IGPM, aumentou 0,38%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Melo Cota, afirmou que o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI), deve registrar uma deflação ainda maior, chegando a 0,50%. O IGP-DI mede a variação do custo de vida entre o primeiro e o último dia de cada mês.
Em junho, informou Cota, a queda do dólar não vai mais contribuir para baixar o nível de inflação. No entanto, o bom desempenho da agricultura, outro fator importante no comportamento dos preços, vai se prolongar. Com o fim da alta do vestuário e dos transportes, que aumentaram 2,39% e 1,50% neste mês, é provável que o próximo mês tenha nova deflação, afirmou o economista. Os dois itens foram os que tiveram maior alta no IPC. O aumento das tarifas telefônicas terá um efeito mínimo no IGP, afirmou.
De acordo com Sidney, a inflação anual pode ficar em 10%, se ficar mantido o cenário atual, de recessão. Ele afirmou, no entanto, que não é possível fazer estimativas a longo prazo. Estamos navegando com visão de curto prazo, informou o economista, que lembrou que uma possível alta de juros pode prolongar a recessão causada pelo governo para impedir a volta da inflação.
O economista discordou da opinião do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, de que a recessão estaria prestes a terminar ou já teria até terminado. Como acabou a recessão se o desemprego está crescente?, argumentou.


