O chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), Paulo Sidney Melo Cota, prevê que a inflação, medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) de agosto deverá ser o mais alto do ano, entre 2,3% e 2,5%. Em julho, o índice registrou 1,57%. ‘‘O mês de agosto ainda foi muito influenciado pelo aumento dos combustíveis e também pela alta dos produtos agrícolas’’, explica Cota.
Já em setembro, a inflação medida pelo IGPM, na previsão do economista, será menor – em torno de 1% – e vai depender do comportamento apenas dos produtos agrícolas, que podem sofrer altas de preços em razão da geada e da estiagem. ‘‘Estes produtos agrícolas que subiram, como o milho, são importantes para outros produtos, como os industrializados, que podem repassar o aumento’’, afirmou.
Cota também avalia que a inflação apresentada nos últimos meses ‘‘é claramente de oferta’’. ‘‘Se acontecer inflação por demanda, será somente no final deste ano ou no início do ano que vem porque a renda média não cresceu’’, afirmou Cota.
Mesmo considerando o núcleo da inflação do IGP-DI, que subiu de 0,16% em junho para 0,74% em julho, Cota explica que, como o intervalo entre as variações foi grande, ao retirar 20% dos preços que mais variaram negativamente e positivamente , o índice continuou alto.
Em outubro ou novembro, ele projeta um IGPM próximo a zero. ‘‘Não haverá aumento de tarifas, os produtos agrícolas estarão com variações positivas baixas e até negativas e não há renda suficiente para fazer uma pressão por meio do aumento da demanda’’, diz Cota. Já em dezembro, o IGPM poderá subir um pouco por causa do período natalino.
No ano, o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV prevê o IGPM próximo a 8%. E o Índice de Preços ao Consumidor (IPC/FGV), deve, segundo Cota, acumular alta entre 6% e 7% em 2000. Ele não quis fazer previsões para 2001, mas acredita que o comportamento da inflação vai depender fundamentalmente dos preços do petróleo.

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