Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A inflação de fevereiro, medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi de 0,35%. A taxa ficou acima da expectativa de uma inflação de, no máximo, 0,20% este mês.
Segundo o chefe do Centro de Eestudos de Preços da FGV, Paulo Sidney de Melo Cota, a recuperação dos preços dos produtos agrícolas, especialmente frutas e legumes, puxou o IGPM. No varejo, no entanto, quase não houve reajuste de preços: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi de 0,05%.
‘‘Os preços dos produtos agrícolas apontavam uma queda maior, de até 1%, mas legumes e frutas tiveram recuperação e isso só pode ter acontecido por causa do calor’’, explicou Cota. Os preços dos agrícolas, que haviam subido 1,98% em janeiro, caíram apenas 0,56% em fevereiro, abaixo do percentual estimado. Em consequência do desempenho dos agrícolas, o Índice de Preços no Atacado (IPA) foi de 0,41%. O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) ficou em 0,89%, principalmente por causa da alta dos preços do cimento. O percentual está dentro das expectativas da FGV.
Em março, novamente o atacado pode puxar o IGPM. O reajuste dos derivados de petróleo, autorizado na semana passada pelo governo, deve contribuir com 0,20 ponto percentual na composição do índice do mês que vem. Mas a inflação de março não chegará a 1%. ‘‘Nem deve ultrapassar 0,5%’’, avalia Cota.
Os cálculos do economista da FGV levam em conta que não haverá uma nova alta dos combustíveis. Se realmente não houver mais reajustes, ele acredita no cumprimento das metas de inflação estipuladas pelo governo, medidas pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ‘‘A inflação deve continuar baixa’’, afirmou Cota.
No acumulado de 2000, o IGMP foi de 1,59%. No resultado dos últimos 12 meses, até fevereiro, o índice ficou em 16,78%.

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