Rio de Janeiro - O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de abril fechou em 1,21%, pouco acima da taxa de 1,13% em março. O indicador ficou dentro das expectativas do mercado, mas foi a mais alta desde março do ano passado (1,53%) e a maior para o mesmo mês desde abril de 1995 (2,10%). Enquanto a inflação no atacado aumentou, no varejo as variações de preço foram menores.
Apesar do avanço do índice geral em abril, o especialista em análise econômica da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, acredita que há espaço para novos cortes da taxa Selic. Isto porque, segundo ele, não há disseminação das altas de preços no atacado. Na prática, a maior parte do avanço da inflação captada pelo Índice de Preços por Atacado (IPA), de 1,33% em março para 1,65% em abril, foi concentrada em quatro itens: milho, soja, trigo e álcool e óleos combustíveis.
O aumento de preços no atacado acabou sendo o maior responsável pelo avanço do IGP-M. Mas, à exceção dos combustíveis, os demais produtos parecem já ter chegado aos preços máximos. ''O IPA não demonstra risco de repasse ao varejo. Há boas chances de ser mais baixo em maio e o próprio IGP-M também tende a se reduzir'', comentou o especialista, que projeta o IGP-M para perto de 1% no próximo mês.
No varejo, afirma Braz, a inflação está muito baixa. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caiu de 0,46% em março para 0,31% em abril. Os principais motivos foram as desacelerações dos aumentos de preços nos grupos de alimentação (de 0,90% para 0,25%, na mesma comparação) e de habitação (de 0,51% para 0,41%).
No caminho contrário, a inflação do vestuário aumentou, por conta da entrada da coleção outuno/inverno. Os preços das roupas passaram de deflação de -0,73% para 0,65%. Nem mesmo a pressão de preços das commodities (produtos básicos cotados internacionalmente) chegou ao consumidor. O desemprego em alta e a renda em baixa continuam como alguns dos principais motivos que inibem os repasses de preços, argumenta o especialista.
No primeiro quadrimestre deste ano, o IGP-M acumula alta de 3,97% e, nos últimos 12 meses, de 5,38%.

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