IGP-M sobe e já atinge 1,42% no ano
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de março de 2001
Agência Estado Do Rio 
Os reajustes nos preços dos produtos agrícolas, especialmente no atacado, foram os principais responsáveis pela elevação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) para 0,56% em março, contra 0,23% em fevereiro. O Índice de Preços ao Atacado (IPA) passou de 0,08% para 0,65%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou elevação de 0,42% para 0,47%. O único indicador que compõe o IGP-M a registrar redução no período foi o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que caiu de 0,55% para 0,34% em março.
No acumulado do ano o IGP-M já atingiu 1,42% e, nos últimos 12 meses, 9,6%. O chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Cota, explica que o clima seco e a entressafra resultaram no aumento de 1,99% dos agrícolas no atacado em março, contra uma deflação de 1,11% em fevereiro. Os principais destaques de alta foram registrados no feijão (14,3%), laranja (12%), ovos (10,62%), aves (3,05%) e bovinos (1,68%).
A alimentação apresentou alta também no varejo, nesse caso passando de -0,07% em fevereiro para 0,96% em março. Os destaques foram o leite longa vida (4,97%), batata inglesa (8,11%) e laranja pera (14,1%).
Cota prevê que o IGP-M de abril deverá cair para entre 0,40% e 0,50%. A queda ocorrerá, segundo ele, porque os agrícolas não deverão continuar pressionando os preços no atacado ou no varejo com tanta intensidade. Ele afirma que esses produtos já subiram bastante e, a partir de agora, deverá ocorrer uma desaceleração no ritmo de elevação se seguirem a trajetória normal, sem surpresas.
Outro impacto de queda no índice deverá ser gerado pela redução no preço da gasolina a partir de 6 de abril. Em contrapartida e como pressão de alta no mês que vem, Cota destaca o aumento do salário mínimo, que teria impacto no índice em abril porque deverá reajustar os salários das empregadas domésticas diaristas e, ainda, um possível impacto da alta do dólar, caso a moeda norte-americana continue cotada em patamares elevados, como tem acontecido nos últimos dias. Para o acumulado deste ano, o economista prevê um IGP-M entre 4% e 4,5%.


