Os reajustes nos preços dos produtos agrícolas, especialmente no atacado, foram os principais responsáveis pela elevação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) para 0,56% em março, contra 0,23% em fevereiro. O Índice de Preços ao Atacado (IPA) passou de 0,08% para 0,65%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou elevação de 0,42% para 0,47%. O único indicador que compõe o IGP-M a registrar redução no período foi o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que caiu de 0,55% para 0,34% em março.
No acumulado do ano o IGP-M já atingiu 1,42% e, nos últimos 12 meses, 9,6%. O chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Cota, explica que o clima seco e a entressafra resultaram no aumento de 1,99% dos agrícolas no atacado em março, contra uma deflação de 1,11% em fevereiro. Os principais destaques de alta foram registrados no feijão (14,3%), laranja (12%), ovos (10,62%), aves (3,05%) e bovinos (1,68%).
A alimentação apresentou alta também no varejo, nesse caso passando de -0,07% em fevereiro para 0,96% em março. Os destaques foram o leite longa vida (4,97%), batata inglesa (8,11%) e laranja pera (14,1%).
Cota prevê que o IGP-M de abril deverá cair para entre 0,40% e 0,50%. A queda ocorrerá, segundo ele, porque os agrícolas não deverão continuar pressionando os preços no atacado ou no varejo com tanta intensidade. Ele afirma que esses produtos ‘‘já subiram bastante’’ e, a partir de agora, deverá ocorrer uma desaceleração no ritmo de elevação se seguirem a trajetória normal, sem surpresas.
Outro impacto de queda no índice deverá ser gerado pela redução no preço da gasolina a partir de 6 de abril. Em contrapartida e como pressão de alta no mês que vem, Cota destaca o aumento do salário mínimo, que teria impacto no índice em abril porque deverá reajustar os salários das empregadas domésticas diaristas e, ainda, um possível impacto da alta do dólar, ‘‘caso a moeda norte-americana continue cotada em patamares elevados, como tem acontecido nos últimos dias’’. Para o acumulado deste ano, o economista prevê um IGP-M entre 4% e 4,5%.

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