O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) fechou o ano em 3,69%, menor taxa desde 2009, quando teve retração de 1,72%. No ano passado, o índice havia ficado em 5,51%. Em dezembro, houve queda em relação a novembro - 0,62% contra 0,98% no mês anterior – e estabilidade frente ao mesmo mês do ano passado. Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IGP-M serve de base de cálculo para o reajuste da maior parte dos contratos de aluguel.
A queda frente ao mês anterior explica-se, em parte, pela variação nos preços dos produtos agrícolas que, em novembro, pesaram no índice, impactados pela falta de chuvas na fase de plantio das novas safras. "Os produtos agropecuários, de um modo geral, tiveram uma variação bem mais pronunciada (em novembro) e esse efeito já está bastante absorvido, apesar de ainda deixar sequelas ao longo da cadeia produtiva", explica o economista da FGV, Salomão Quadros.
Já a desaceleração do índice anual em relação aos últimos quatro anos tem uma série de explicações, que também passam pelo setor agrícola. Quadros destaca a supersafra norte-americana, que provocou uma sequência de deflações nos preços agrícolas, e a recuperação da economia mundial após a crise de 2009. "Naquele ano, vários preços importantes, como petróleo, agrícolas, minerais, tiveram queda expressiva. Agora, a gente tem um número mais baixo que nos últimos anos, mas não se parece nem um pouco com aquela ocasião", afirma o economista.
O IGP-M é composto por três índices: Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Destes, apenas o IPC apresentou aumento, tanto em dezembro como em relação a 2013. Na comparação mensal, o índice subiu de 0,53% para 0,76% e no acumulado do ano, de 5,51% para 6,76%. O IPA fechou o ano em 2,13% e o INCC em 6,74%.
A alta dos serviços, como alimentação, saúde, educação e passagem aérea, explica parte do aumento do IPC, no entanto, o reajuste da energia elétrica foi o principal responsável. "A energia elétrica tinha registrado queda de 15% em 2013 e, nesse ano, subiu quase 14%", compara o economista da FGV. Já o INCC vem de uma trajetória de desaceleração, consequência do desaquecimento da economia e da construção civil.

Aluguéis
Para quem tem contrato de aluguel vinculado ao IGP-M e com vencimento em janeiro de 2015 a retração do índice é uma boa notícia. O diretor de lançamentos e comercialização imobiliária do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR) em Londrina, Marcos Moura, acredita que o índice mais baixo tenha a ver com a situação econômica nacional.
"Estamos passando por um momento em que os economistas alertam para não gastar muito, então o pessoal dá uma freada; acho que a eleição também interferiu", pondera. Moura explica que o IGP-M rege a maior parte dos contratos do aluguel, no entanto, a cada 30 meses o proprietário tem o direito de reajustar conforme o valor de mercado. Quanto ao valor dos aluguéis praticados em Londrina, o diretor ressalta que é relativo, depende da localização do imóvel e da conservação.

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