Rio A queda intensa de preços no atacado, principalmente dos produtos agrícolas (-3,42%), levou o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) à deflação de 0,22% em maio, ante alta de 0,86% em abril. Foi o menor resultado em quase dois anos. O recuo foi mais forte do que esperava o mercado financeiro, que apostava em algo entre -0,04% e 0,08%.
O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, preferiu brincar, ao comentar a redução do índice: ''A inflação não está com céu de brigadeiro, parece mais um submarino (por apresentar queda). É mais um mar de almirante'', disse.
Para a analista da consultoria Tendências, Marcela Prada, porém, o fato de o IGP-M ter ficado abaixo das projeções de mercado é explicado pelo fato de o INCC não ter captado o dissídio de mão-de-obra da construção civil em São Paulo. ''Desse modo, o resultado não trouxe nenhuma novidade positiva'', avaliou.
O período de coleta do indicador foi do dia 21 de abril a 20 de maio. Quadros explicou que o recuo dos preços agrícolas, o mais intenso em seis anos, ajudou a puxar para baixo o Índice de Preços por Atacado (IPA), que tem maior peso no IGP-M e caiu 0,77% em maio, a menor taxa em 23 meses. Em abril, o IPA foi de 0,96%.
''Podemos dizer que esse IGP-M de maio marcou o fim da influência do atacado na inflação, especialmente dos problemas climáticos do início do ano, como a estiagem na região Sul'', disse. A inflação no atacado também foi beneficiada pela baixa cotação do petróleo e pela apreciação do real ante o dólar, o que provocou quedas respectivas nos preços de combustíveis e lubrificantes (-0,38%) e ferro, aço e derivados (-0,55%).
Sem fazer previsões numéricas, Quadros avaliou que a inflação medida pelos IGPs deverá aparecer ''bem tranquila, bem comportada'', nos próximos meses. ''Até o momento, não temos motivos para esperar impactos fortes'', disse, não descartando ainda que o IGP-M de 2005 feche abaixo de 10%. Em 2004, o indicador fechou o ano em 12,41%.
Mas as quedas de preço no atacado ainda não foram sentidas no varejo, pelo contrário: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), passou de 0,80% em abril para 1,02% em maio a maior taxa em 25 meses. O resultado mostra que a inflação do varejo ainda permanece pressionada por reajustes antigos em preços administrados e pelo repasse tardio dos problemas climáticos que elevaram os preços agrícolas. As principais pressões do IPC de maio se originaram de produtos como tarifa de eletricidade residencial (3,35%) e batata (20,82%).
A tendência dos IPCs a médio prazo, no entanto, é de redução por causa da atual queda de preços no atacado. ''Creio que em torno de dois meses ocorrerá o repasse da recente queda de preços no atacado para o varejo. Não creio que vá demorar mais do que isso'', disse.
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) passou de 0,38% para 0,54% de abril para maio. O IGP-M acumula alta de 2,2% no ano e de 9,08% em 12 meses.
O economista da FGV identificou, de abril para maio, uma queda de preços no segmento de bens duráveis no atacado (de 0,04% para -0,33%,) que pode ser reflexo da trajetória de alta de juros.

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