IGP-M recua 0,35% na 2ª prévia de agosto
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terça-feira, 19 de agosto de 2014
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Rio - A queda de preços continua entre os produtos no atacado, ainda que em menor ritmo, e chegou também ao varejo em agosto. Com isso, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) recuou 0,35% na segunda prévia deste mês, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). Os alimentos ficaram mais baratos, tanto entre os produtores quanto nos supermercados, enquanto as diárias de hotéis tiveram baixa, passada a Copa do Mundo.
A queda no índice, muito utilizado para reajustes de aluguel, foi mais intensa do que o esperado em média por economistas ouvidos pela Agência Estado (-0,32%) e praticamente confirmou a ocorrência de uma quarta deflação consecutiva neste mês, após recuos em maio, junho e julho. "Não há tempo hábil para compensar isso", disse o superintendente adjunto de inflação da FGV, Salomão Quadros. O resultado final do IGP-M sai no próximo dia 28.
Ao mesmo tempo, os dados mostram que o índice caminha, a passos lentos, para a estabilidade. No Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), o recuo de 0,57% foi menor do que em julho (-0,94%). Soja e milho caíram em ritmo menos intenso do que no mês passado, uma vez que notícias positivas sobre as safras nos Estados Unidos já foram incorporadas aos preços. O minério de ferro também recuou menos, respondendo ao aumento na cotação no mercado internacional. Nos alimentos in natura, o tomate já subiu 8,11% no atacado.
"O resultado aponta que a reversão das quedas no atacado deve continuar ao longo de todo o mês", avaliaram os economistas Juan Jensen e Marcio Milan, da consultoria Tendências. Ainda assim, os especialistas revisaram a projeção para o IGP-M fechado do mês, de -0,10% para -0,43%.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou recuo de 0,02%, devido à devolução dos aumentos impulsionados pela Copa do Mundo e aos alimentos. Segundo a FGV, os hotéis ficaram 3,76% mais baratos. "Mas esse é um efeito pontual", ponderou Quadros. No caso da alimentação, pesaram menos no bolso aves e ovos (-1,26%), batata-inglesa (-26,06%) e tomate (-13,17%). O desconto na tarifa de água e esgoto em São Paulo também foi um fator benigno para a inflação este mês.
"Não há novos motivos (para haver deflação), o ciclo de renovações das quedas estancou. O IPA deve seguir com mais facilidade para a estabilidade, e não se pode esperar que o IPC tenha o mesmo fôlego que o IPA teve", afirmou o superintendente da FGV.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por sua vez, subiu 0,23%, menos do que no mês passado. Desaceleraram tanto os materiais e equipamentos quanto o custo da mão de obra. No caso dos materiais, o ritmo menor de avanço dos preços chamou a atenção. "Há muito tempo isso não desacelera tanto. Pode ser que tenha a ver com a menor demanda do setor. É um primeiro sinal de que a atividade pode já estar repercutindo nos preços", disse Quadros, ponderando que os próximos resultados serão importantes para ratificar esse argumento.


