IGP-M pode permanecer alto
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sábado, 29 de janeiro de 2011
Francisco Carlos de Assis<br>Agência Estado 
São Paulo - A pressão sobre os preços de produtos agropecuários que inflou a composição do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) em janeiro deverá saltar para os preços dos produtos industriais, mantendo, assim, o indicador em fevereiro no mesmo patamar deste mês. É o que afirma o economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. Para ele, se a taxa de inflação medida pelo IGP-M não vai subir, também não vai ceder em fevereiro. Para janeiro, o banco projetava uma inflação de 0,78% pelo IGP-M. O resultado oficial, divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou uma alta de 0,79%.
O IPA Agrícola, que congrega o conjunto dos preços agropecuários, encerrou janeiro com uma alta de 1,27%, com uma aceleração de 0,12 ponto porcentual sobre a taxa de 1,15% registrada em dezembro do ano passado. Apesar da menor intensidade, os preços industriais também subiram na passagem de dezembro para janeiro, saltando de 0,44% para 0,57%. Mas enquanto os preços agropecuários tendem a mostrar arrefecimento daqui para frente, os preços da indústria tendem a subir, à medida que passarão a incorporar o aumento de cerca de 8% do minério de ferro no começo deste ano. Parte deste reajuste, de acordo com Serrano, até já foi apropriado pelo IGP-M, mas o grosso do aumento será capturado no decorrer do próximo mês.
Além da troca do foco da pressão, que sustentará a inflação de mercado elevada, os IGPs, de modo geral, vão incorporar na sua estrutura a variação acima de 1% do IPC-S. Serrano projeta para janeiro uma alta de 1,22% para o IPC-S, que se por um lado contará com algum alívio dos preços agropecuários, vai refletir os reajustes das despesas com educação e transportes públicos. Apenas em fevereiro, o IPC-S poderá desacelerar para o patamar de 0,50%.
Pelas contas feitas pelo economista, o grupo Educação deverá encerrar janeiro com uma alta de 4% e o de Transportes, com 2,55%. No IGP-M de janeiro, divulgado hoje, o grupo Educação, Leitura e Recreação subiu 2,75% e o Transporte, 1,94%. ''Se consideramos apenas estes dois grupos, o impacto sobre o IPC-S será de 0,64 ponto porcentual. Ou seja, se todo o resto tiver variação zero, a inflação pelo IPC-S já seria de 0,64%'', analisa o economista.


