IGP-M fica estável e baixa expectativas de inflação
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Jacqueline Farid <br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) permaneceu praticamente inalterada em abril (0,86%) em relação a março (0,85%). A taxa ficou abaixo das estimativas do mercado financeiro (0,90% a 1,05%) e injetou alguma tranquilidade sobre as expectativas de inflação, no mesmo dia em que o Banco Central acenou com a possibilidade de nova elevação dos juros.
''Não há nenhum fator muito claro de que estamos em fase de aceleração da inflação'', disse o coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. No atacado, a pressão foi dada pelo aumento do petróleo, que elevou os preços de alguns combustíveis, e pela estiagem no Rio Grande do Sul, com efeito sobre o milho e laticínios. No varejo, os preços administrados, alimentos e vestuário representaram os maiores impactos de alta para a taxa.
O Índice de Preços do Atacado (IPA), que tem o maior peso (60%) no IGP-M, subiu para 0,96% em abril, ante 0,94% em março. Segundo Quadros, ainda que o índice tenha se mantido em nível elevado, os impactos estiveram concentrados em alguns produtos e não há espalhamento das pressões.
Além disso, segundo Quadros, a nova composição do IPA revelada em abril, que mostrou mais pressão dos produtos industriais do que os agrícolas no atacado, ''não é necessariamente mais preocupante para a inflação''. Ele disse que ''não há sinal de alta mais generalizada de insumos para a indústria; o aumento está muito concentrado nas altas de óleos combustíveis e querosene para motores, que são pontuais''.
Quadros disse ainda que, no IPA, a pressão forte que vinha sendo exercida pela agricultura ''está atenuando bastante'' e os repasses para os alimentos processados ou já cessaram ou ocorrem de forma tênue. ''Como também não há pressões muito grandes nos bens intermediários, é um sinal de que não há nenhuma pressão que vá representar repasses daqui pra frente'', disse.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, subiu de 0,66% em março para 0,80% em abril. Os preços administrados foram responsáveis por 35% do total da alta do índice, segundo o economista André Braz, da FGV. Transporte urbano, energia elétrica, telefonia móvel, gás de botijão e taxa de água e esgoto foram alguns dos principais itens responsáveis pelo aumento da inflação do varejo no mês.
O grupo de alimentação acelerou a alta no varejo de 0 92% em março para 1,09% em abril, pressionado por laticínios, arroz e feijão, hortaliças, legumes e frutas. Houve acelerações importantes também no grupo de transportes (1,73% em março para 1,80% em abril, por causa dos administrados) e vestuário (-1,11% para 0,68%), por causa da entrada da nova coleção de inverno.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) recuou para 0,38% em abril, ante 0,71% em março, por causa da ausência de pressões da mão-de-obra.


