RIO - A inflação brasileira em 1996, medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), ficou em 9,20%, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Desde 1957 a FGV não registrava inflação de apenas um dígito. Este também é o terceiro menor resultado já apurado pela fundação, a primeira instituição brasileira a calcular índices de comportamento dos preços: em 1957, a inflação subiu somente 2,50%; em 1947 apontou 2,73% e em 1948, 7,96%.
Em dezembro especificamente o IGP-M variou 0,73% e apresentou deflação, ou seja, queda de preços, de 0,74% nos alimentos e de 0,34% no vestuário, embora o mês se caracterize por forte aumento de consumo.
O resultado do IGP-M em 96 ficou dentro das expectativas do ministro da Fazenda, Pedro Malan, que há algumas semanas vinha prevendo que este ano a inflação já teria um dígito, o que, inicialmente, somente se esperava que ocorresse em 1997. Para o próximo ano as projeções são de uma variação entre 5% e 8%, conforme a avaliação da maior parte das instituições que acompanham o comportamento dos preços.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também divulgado ontem, confirma a tendência de redução na inflação. No ano, este indicador - que serve para corrigir a Unidade Fiscal de Referência (Ufir) -, variou apenas 9,92% e representou o mais baixo resultado já observado pelo órgão, que começou a calcular inflação em 1979. O IBGE jamais tinha encontrado um resultado de somente um dígito.
O IPCA-E, que mostra a inflação para as famílias que ganham de um a 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas, é um índice apenas para consumidores, enquanto que o IGP-M e os demais índices da FGV são compostos, na verdade, por três indicadores: o Índice de Preços por Atacado (IPA), que tem peso de 60% e é, portanto, o mais importante; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% e cujos preços são pesquisados somente em São Paulo e no Rio de Janeiro; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).
Para os consumidores, no índice da FGV, que capta preços do dia 20 de um mês a 21 do seguinte, a inflação continua com dois dígitos, já que ficou este ano em 11,29. Este resultado, porém, segundo os técnicos, foi influenciado pelo comportamento dos preços em São Paulo - que a FGV não mostra isoladamente, mas que, conforme o apurado pelo IPCA-E do IBGE, teve a inflação mais alta entre todas as regiões (11,72%). O IPA foi de 7,91% no ano e o INCC, de 9,44%.
O mais importante, porém, é que os preços dos produtos alimentícios e das bebidas, pelo IPCA-E, subiram somente 2,36%. Segundo o IBGE, considerando todos os grupos e itens, o que mais pressionou a inflação medida pelo IPCA-E em 1996 foi o preço dos aluguéis residenciais, que tiveram alta de 35,39%. Da inflação total de 1996, de 9,92%, 3,08 pontos porcentuais foram gerados pelos aluguéis.
O grupo habitação subiu 25,72%. Embora os alimentos e bebidas tenham dado uma grande ajuda para o baixo resultado da inflação medida pelo IPCA-E este ano, o grupo vestuário foi o de mais baixo resultado, pois teve deflação de 1,92%. O grupo artigos de residência fechou o ano com elevação de somente 1,71%. Neste grupo, o que mais subiu foram os eletrodomésticos (5,58%).

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