IGP-M fecha 2012 na casa dos 7,8%
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deixou a desejar em 2012, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acabou acumulando alta de 7,82% nos últimos 12 meses. Em dezembro, o índice sofreu elevação de 0,68%, após ter registrado queda de 0,03% no mês passado. Em 2011, o percentual fechou na casa dos 5% (veja quadro). O número é calculado com base nos preços coletados entre o dia 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. Os valores foram divulgados ontem pelo Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
O aumento do IGP-M é justificado por diferentes fatores. De acordo com o superintendente adjunto de inflação do Ibre/FGV, Salomão Quadros, o efeito da desvalorização cambial no final de março auxiliou na ascensão desta taxa. ''O dólar saltou de R$ 1,70 para R$ 2,10 e isso acabou provocando um aumento dos preços em geral, como produtos industriais, químicos, metalúrgicos, entre outros.'' Apesar disso, Quadros avalia que este efeito já foi absorvido pelo mercado. ''Neste sentido, estamos num clima mais tranquilo, o dólar não vai saltar além do valor que já atingiu.''
Outro ponto fundamental no resultado final do índice foi o comportamento dos preços dos produtos agrícolas, que sofreram influência direta dos problemas climáticos, inclusive dos Estados Unidos. ''A seca dos Estados Unidos entre agosto e setembro acabou influenciando nos valores da soja e do milho, que acabaram disparando. Também tivemos uma quebra da safra na soja aqui no Sul do País.''
Mesmo com a alta de 0,68% em dezembro, a leitura do mês acabou ficando abaixo de diversas consultorias e instituições financeiras, que previam algo em torno de 0,80%.
Mercado imobiliário
Para o mercado imobiliário, o índice também é importante, já que é utilizado para reajustar a maioria dos contratos de aluguel. Apesar do incremento saliente no IGP-M, os especialistas deste setor consideram que durante o ano os reajustes no aluguel ficaram na normalidade.
O diretor do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), Marcos Moura, comenta que a economia equilibrada que o País está vivendo reflete na tranquilidade deste mercado. ''É claro que há exceções, mas no geral o mercado não ficou inflacionado. O proprietário que tentou aumentar o aluguel de forma abrupta acabou perdendo o locatário.''
Moura calcula um reajuste mensal na ordem dos 0,6% a 0,8%. ''Não é nada muito elevado, mas pode aumentar. A questão é como o mercado vai reagir neste sentido'', complementa.



