IGP-M 'explode' pelo 3º mês seguido: 1,48%
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segunda-feira, 30 de julho de 2001
Agência FolhaDo Rio 
A inflação de julho, medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) ficou em 1,48%, divulgou ontem a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Em junho, o IGP-M havia fechado 0,98% e em maio, em 0,86%. Em julho, o IPA (Índice de Preços do Atacado) variou 1,73%. Já o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e o INCC (Índice Nacional da Construção Civil), apontaram inflação de 1,10% e 1,07%, respectivamente.
Em junho, o IPA registrou variação de 1,31%; o IPC , de 0,40% e o INCC, de 0,69%. No ano, o IGP-M acumula alta de 5,88%. E nos últimos 12 meses, de 11,09%. O IGP-M é calculado com base em preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês corrente.
O resultado do IGP-M foi devido à alta do dólar, que impactou os preços no atacado, e ao reajuste de tarifas, além dos preços administrados ao consumidor. No atacado, os destaques foram: soja (13,77%), milho (4,29%), óleo diesel (6,53%), gasolina (3,17%), chapas finas de aço (6,09%).
No IPC, a maior pressão veio dos grupos alimentação (0,04% para 0,61%) e habitação (0,51% para 1,71%). No primeiro grupo, as maiores altas de preço foram: o pão francês (3,98%), leite longa vida (1,61%) e arroz branco (4,56%).
No segundo grupo, as maiores altas de preços foram exclusivamente do aumento das tarifas e dos preços administradores: telefone residencial (9,57%), eletricidade (2,97%), gás de cozinha (4,28%) e água e esgoto (1,60%).
Entre os preços ao consumidor, também estão entre os destaques gasolina (3,65%) e ônibus interurbano (7,46%). O chefe do centro de estudos de preços da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Paulo Sidney de Melo Cota, estima que a inflação de agosto, medida pelo IGP-M, ficará em torno de 1%.
Segundo ele, o impacto do reajuste de tarifas e preços administrados continuará, mas será menor.
Estouro no anoPesquisa realizada pelo Banco Central mostra que os analistas do mercado financeiro esperam que a inflação deste ano fique em 6,08% e estoure o teto da meta, fixado pelo governo em 6%. A mesma pesquisa também revela que, por enquanto, o mercado não acredita que o governo vá adotar uma política fiscal mais austera, apesar dos cortes de gastos anunciados na semana passada pela equipe econômica.
A pesquisa foi realizada pelo BC na última sexta-feira. Na semana anterior, o mercado ainda achava que a inflação iria ficar em 6% ou seja, dentro da meta, fixada em 4%, mas com variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. A revisão das previsões do mercado é um fenômeno particularmente ruim porque os estudos do Banco Central mostram que, quanto pior é a expectativa inflacionária, maior é o repasse da desvalorização do real para a taxa de inflação.


