IGP-M de junho fecha em 1,18%
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terça-feira, 22 de junho de 2004
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de junho fechou em 1,18%, maior taxa para o indicador desde fevereiro de 2003 (1,73%). Pelo segundo mês consecutivo, a prévia do índice fica acima de 1%. Em maio, o resultado havia sido de 1,02% e, no mês anterior, de 0,98%. A alimentação, mais uma vez, foi responsável pela maior contribuição inflacionária, tanto no atacado quanto no varejo.
Como o período de coleta de preços da segunda prévia do IGP-M foi de 21 de maio até o dia 10 de junho, não foram captados os aumentos nos preços da gasolina e do diesel em vigor desde o último dia 15. Estes aumentos aparecerão na divulgação do IGP-M fechado (apuração de 21 de maio a 20 de junho).
Apesar do resultado da segunda prévia do IGP-M ter ficado em 1,18%, o coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, avalia que o indicador deverá fechar o mês acima deste nível, mais próximo de 1,50%. Este foi o patamar do IGP-DI de maio (coleta de preços do primeiro ao último dia do mês) e do IGP-10 de junho (de 11 de maio a 10 de junho).
Entre maio e junho, a variação de preços de legumes e frutas, no atacado, saltou de 2,23% para 5,76%, enquanto o item animais e derivados passou de 0,43% para 4,24%.
No varejo, o grupo de alimentos apresentou a variação mais expressiva, de 0,46% para 1,07% e foi responsável por quase metade da variação captada na prévia do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), de 0,62%. Em maio, a prévia do IPC-M estava em 0,46%.
Os técnicos da FGV explicam que grande parte dos aumentos no grupo de alimentação está ligada a mudanças climáticas. Os preços de hortaliças e legumes, por exemplo, avançaram 6,90% ao consumidor na segunda prévia de junho. Outro aumento de preços significativo foi dos laticínios (2,61%). A contribuição dos laticínios, aves, ovos e carnes para a inflação em junho também cresceu na comparação com maio.
A segunda prévia do Índice de Preços no Atacado (IPA-M) fechou em 1,48%, acima da taxa de 1,28% da mesma prévia em maio. Quadros destacou que a variação de preços dos produtos industriais no atacado recuou de 1,45% para 1,37%. Segundo ele, os efeitos do câmbio na inflação são ''pouquíssimos'', até agora, e também não há indício de inflação motivada pela recuperação econômica. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) recuou de 0,70% para 0,56%.
Quadros explicou que o avanço no patamar dos IGPs divulgados pela fundação deve-se a um ''choque de commodities'', cujas cotações aumentaram mais fortemente desde o fim de 2003. ''A elevação do IGP não quer dizer que a inflação vai disparar. Os fatores que vêm influenciando as altas, como as commodities, têm um ponto de limite. As próprias commodities já estão desacelerando'', disse Quadros.


