IGP-M de fevereiro é o maior desde 1999
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Rio O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de fevereiro fechou em 2,28%, maior taxa do mês desde 1999, quando foi de 3,61%, logo após a mudança do regime cambial. Apesar da queda dos preços no varejo, o avanço da queda no atacado manteve o IGP-M no mesmo nível do mês anterior (2,33%). As projeções são de que a taxa poderá continuar no mesmo nível, pouco acima dos 2%, nos próximos meses, caso não surja um ''fato novo''.
''Há um processo de desaceleração do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), o que sugere que a trajetória no curto prazo continue em redução. Mais para frente é difícil prever porque o IPA (Índice de Preços por Atacado) está gerando resistência'', disse o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros. ''O IGP-M empacou neste patamar. O atacado está segurando a queda dos índices da família dos IGPs.''
Na prática, a inflação no atacado está sendo influenciada basicamente pelas variações dos preços agrícolas, combustíveis e efeitos do dólar. Os produtos agrícolas, que geraram variações negativas típicas de início do ano, não estão contribuindo tanto quanto nos anos anteriores. Por conta de variações climáticas, os preços de legumes e frutas avançaram 11,59% e de raízes e tubérculos, 11,87%.
Além disso, combustíveis despontaram no topo da lista de principais influências da inflação: óleo diesel (7,49%), gasolina (8,67%) e óleo combustível (8,64%) estão entre os quatro maiores impactos da inflação no atacado. No caso do dólar, além dos produtos cotados na moeda americana, itens fabricados no País, como o aço, também têm criado pressão inflacionária, segundo o coordenador da FGV.
Quadros explica que, como as exportações estão mais atrativas por conta do câmbio e como não há meios de aumentar rapidamente a produção, alguns setores, como o siderúrgico, deslocam para o mercado externo parte dos produtos destinados ao doméstico, provocando pressão de preços. Ao contrário do que ocorreu no atacado em fevereiro, no varejo houve desaceleração da inflação nos grupos pesquisados, à exceção de transporte, que avançou desde janeiro.
Com a variação do IGP-M de fevereiro, o acumulado do ano já chega a 4,67%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice geral é de 30,60%. A análise do acumulado de 12 meses, contudo, revela que o acumulado no atacado está em 40,60% até fevereiro.


