IGP-M de 2,3% em agosto é o maior do ano
Mais um índice de inflação veio confirmar que o custo de vida em agosto está superando o esperado. O IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) registrou uma alta de 2,39%, contra 1,57% de julho e 1,56% em agosto do ano passado. O resultado de agosto, divulgado ontem pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), empata com o de novembro último. O índice anterior mais alto havia sido o de março do ano passado (2,83%), ainda sob forte impacto da desvalorização do real.
Dos três índices que compõem o IGPM, o IPA (Índice de Preços por Atacado) foi, mais uma vez, o vilão da história, com uma alta de 3,1%, pressionado pelos preços da cana-de-açúcar, da carne bovina e dos combustíveis. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) ficou em 1,66%, variação também pressionada por combustíveis, além de leite e passagens aéreas.
Mas ainda não está claro se são itens isolados que estão determinando o aumento da inflação. Para o economista José Márcio Camargo, da Consultoria Tendências, ainda é cedo para diagnosticar se está havendo também pressão da demanda. Se existe, ainda é pequena.
A questão é crucial porque é deste fator que depende a política de juros do governo, cuja tendência de queda já foi temporariamente suspensa na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), quando foi adotado o viés neutro.
Camargo explica que o resultado da inflação de setembro será fundamental para definir o quadro atual. Se houver uma queda rápida no ritmo dos índices, a probabilidade é que não haja pressão da demanda. Se as taxas resistirem ou mesmo subirem, será alto o indício de que há pressão nos preços gerada pelo consumo.





