Rio de Janeiro - A segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) caiu para 0,62% em agosto, depois de fechar julho com variação de 1,11%. A taxa de agosto foi a menor nos últimos seis meses, resultado da desaceleração dos aumentos de preços no atacado, no varejo e na construção civil. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o desempenho mostra claramente a tendência de desaceleração dos índices inflacionários. ''A segunda prévia de agosto foi uma boa notícia para a queda da inflação'', afirmou, acrescentando que o IGP-M deste mês pode fechar abaixo de 1%.
O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), anunciado quarta-feira, já havia registrado um recuo na inflação de 1,31% para 0,84%, de julho para agosto. Enquanto o período de coleta da segunda prévia do IGP-M foi de 21 de julho a 10 de agosto, a coleta de preços do IGP-10 abrangeu o período de 11 de julho a 10 de agosto.
Apesar dos resultados positivos dos dois indicadores, Quadros considerou uma decisão acertada a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 16% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para o coordenador, o cenário atual da inflação não justifica corte ou aumento da Selic a curto prazo. No ano, o IGP-M acumula alta de 8,84% e, nos últimos 12 meses, de 11,78%.
No atacado, a segunda prévia do IGP-M indicou recuo de preços nos produtos agrícolas de 0,16% para 0,05% entre julho e agosto. Já nos produtos industriais a desaceleração foi de 2,06% para 1,25%. Isso levou à redução do Índice de Preços por Atacado (IPA), que subiu apenas 0,93% em agosto, comparado à taxa de 1,54% na segunda prévia de julho. A inflação no atacado tem um peso de 60% na estrutura total do IGP-M.
No varejo também houve desaceleração. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) recuou para 0,63% na segunda prévia de agosto, ante 0,77% em igual prévia em julho. O IPC representa 30% do total do IGP-M. Segundo a FGV, a queda de preço da gasolina em agosto (-0,11%) e as promoções de roupas e calçados, respectivamente, levaram a recuos de preços nos grupos transportes (de 1,92% para 0,66%) e vestuário (de 0,75% para -0,39%). Estes dois segmentos minimizaram o impacto dos reajustes de tarifas no período, mantendo a inflação do varejo em um nível baixo. Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) recuou para taxa de 0,79% em agosto, ante aumento de 1,10% em julho.

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