Rio de Janeiro - O ovo foi o vilão da inflação no começo de março. Por causa da alta de 25,09% do produto no atacado, o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) atingiu 0,40% na primeira prévia de março, contra 0,18% do mesmo período de fevereiro.
Da variação de 0,44% do Índice de Preços por Atacado (IPA), 0,42 ponto porcentual veio do aumento dos ovos, produto que está em entressafra e cuja demanda cresce antes da Páscoa. Isso porque é insumo para os ovos de chocolate.
O reajuste dos ovos pressionou o grupo de produtos agrícolas no atacado, que passou de uma deflação de 0,15% na prévia de fevereiro para 1,42% na parcial de março. O aumento do leite - 1,15% - também puxou a inflação para cima.
A alta da inflação no atacado só não foi mais intensa porque os produtos industriais cederam. Registraram variação de 0,10% na prévia de março, ante 0,19% na parcial de fevereiro. ''Esses produtos foram beneficiados pela queda do dólar, o que conteve a inflação no atacado'', afirma Alexandre Sant'Anna, economista da ARX Capital.
O recuo desses preços, diz, também está relacionado aos altos estoques das indústrias feitos ao final do ano passado, o que as obrigou a vender os produtos com preços mais baixos.
Ao consumidor, a inflação também se acelerou, ainda que numa intensidade menor do que no atacado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de 0,30% para 0,32%. O principal impacto veio do grupo alimentação, cujos preços médios avançaram de 0,03% para 0,56%, sob impacto dos alimentos in natura.
Por outro lado, o grupo Educação exerceu pressão negativa no IPC, passado o período de reajustes das mensalidades escolares. O grupo registrou inflação de 0,21%. Havia tido uma alta de 1,03% na primeira prévia de fevereiro.
Sant'Anna afirmou que o resultado não deve alterar a decisão do Banco Central de elevar neste mês os juros. Ele projeta uma alta de 0,5 ponto porcentual.

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