Rio de Janeiro A inflação de outubro medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) alcançou 3,87%. Segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), que calcula o índice, foi a maior alta do Plano Real, descontados os dois primeiros meses (julho e agosto de 1994), quando o índice ainda estava contaminado pela hiperinflação.
``É o maior índice do Real sem o resíduo inflacionário do período anterior``, afirmou o economista Salomão Quadros, coordenador da equipe que calcula o índice. Para ele, a pressão gerada pela alta do dólar foi de novo responsável pela aceleração inflacionária.
O IGP-M deste mês foi 1,47 ponto percentual maior que o índice de setembro (2,40%). A maior variação anterior havia sido de 3,61% em fevereiro de 1999, logo após o fim da âncora cambial que mantinha o real com valor próximo a um dólar. Em julho e agosto de 1994 as variações foram, respectivamente, de 40% e de 7,56%.
No período de coleta de preços para o cálculo do IGP-M de outubro (21 de setembro a 20 de outubro), o dólar médio teve uma alta de 20%, segundo cálculo da FGV. Isso, de acordo com Quadros, manteve a pressão sobre os preços que já vinha de meses anteriores, especialmente no atacado.
O IPA (Índice de Preços por Atacado), que tem peso de 60% no cálculo do IGP-M, apresentou alta de 5,62%, contra 3,43% em setembro. Foi o maior IPA desde fevereiro de 1999 (5,82%). As matérias-primas brutas aumentaram 8,46%, pressionadas pelos produtos agrícolas, que subiram 8,22% (5,58% em setembro).
Os preços do papel e do papelão dispararam no atacado, atingindo 8,74%, contra apenas 2% em setembro. Segundo Quadros, embora a alta seja basicamente explicada pela variação do dólar (a celulose, base da indústria de papel, é cotada em dólar), pode estar havendo pressão de demanda por embalagens por conta do aumento da produção para atender as vendas de final de ano.
Os produtos alimentícios subiram 7,62% no atacado, praticamente o mesmo que em setembro (7,18%). ``Eles seguem subindo, mas a aceleração se reduziu``, disse Quadros. O trigo aumentou 31,78%. A soja, 17,15%.
As altas expressivas de itens tão importantes na cadeia alimentar, segundo Quadros, podem ainda se traduzir em novos aumentos de preços ao consumidor. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que pesa 30% no IGP-M, teve em outubro variação de 0,91% e ficou 0,24 ponto percentual acima da variação de setembro (0,67%). Os alimentos subiram 1,53% (1,57% em setembro).
O pão francês, derivado do trigo, aumentou 1,12% neste mês, pouco se considerada a alta do trigo no atacado. Para Quadros, isso decorre, primeiro, do fato de que a matéria-prima não é o único custo na fabricação do pão.
Em segundo lugar, ele avalia que a alta não é repassada em maior escala porque o consumidor está dando sinais de não ter renda para absorver aumentos maiores. Em 2002, o pão francês já subiu 22,06%.

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