IGP-DI termina 2001 com alta acumulada de 10,40%
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2002
Agência Folha 
Rio de Janeiro A inflação de 2001 medida pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna) chegou a 10,40%, mais do que o dobro da previsão feita no começo do ano pela própria FGV (Fundação Getúlio Vargas), entidade que pesquisa e calcula o índice. Em janeiro a nossa previsão era de uma alta entre 4,5% e 5%, disse Paulo Sidney Cota, chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV. Segundo ele, o grande vilão do ano foi o dólar.
Houve um choque de preços agrícolas no primeiro semestre, provocado pela estiagem, mas, mesmo nessa área, de acordo com o técnico da FGV, os itens que mais pressionaram a inflação derivados de soja e de trigo foram os que têm preços atrelados à variação do dólar (soja e trigo são commodities internacionais).
A maior pressão sobre o IGP-DI em 2001 veio do atacado. O IPA (Índice de Preços por Atacado), que tem peso de 60% no índice geral, teve variação de 11,87%.
No varejo, os preços medidos pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que tem peso de 30%, aumentaram 7,94%. O IPC é o índice da FGV comparável com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial, calculado pelo IBGE.
A variação do IPC foi maior que os 7,85% de limite para a alta da inflação em 2001 previsto na revisão do acordo do Brasil com o FMI (Fundo Monetário Internacional), em agosto. O IPCA só deverá ser divulgado ahoje pelo IBGE. Sua variação é a que vale para o acordo com o FMI.
DezembroEm dezembro de 2001, a variação do IGP-DI foi de 0,18%. Ele ficou 0,58 ponto percentual abaixo do índice de novembro (0,76%). Para janeiro, Cota disse que foi revista a previsão de deflação feita no começo de dezembro.
Os estragos na agricultura provocados pelo excesso de chuvas nos últimos dias fizeram com que ele estime que o IGP-DI deste mês ficará em cerca de 0,20%. Para o ano de 2002, Cota calcula, mantidas as tendências atuais, que a inflação ficará entre 4% e 4,5%.
O técnico manifestou preocupação com a permanência de um movimento de repasse aos preços da alta do dólar ocorrida no ano passado. Isso foi captado no cálculo do núcleo da inflação de dezembro. Ele chegou a 0,71%, contra 0,77% em novembro. No ano, o núcleo (a inflação menos os extremos) alcançou 7,09%.


