A inflação de 1997, de 7,48% segundo o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi a menor em 40 anos - desde 1957, quando ficou em 6,96%. O resultado de 1997 foi o terceiro mais baixo da história. O recorde na história registrada no País continua sendo o de 1947, que teve uma inflação anual de somente 2,73%. Não se deve esperar que tal recorde seja quebrado em 98: segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, este ano, o IGP-DI variará entre 5% e 6%. Em 1996, ele foi de 9,34%.
Em 1997, o que puxou a inflação para cima foram os preços agrícolas no atacado e as tarifas públicas, basicamente. Assinatura e pulsos telefônicos, por exemplo, subiram 108,97% (já o preço de aquisição de telefone teve queda de 47,56%); taxa de água e esgoto, 22,40%; metrô, 22,41%; ônibus interurbano, 16,09%; gás de botijão, 16,80%; combustíveis e lubrificantes, 14,30%, e gás encanado, 9,38%.
Em compensação, mais uma vez vestuário e alimentação serviram para refrear os índices, tal como havia ocorrido em 1996. O vestuário no varejo, em 1997, segundo a FGV, apresentou deflação - queda absoluta de preços - de 3,58%, enquanto a alimentação subiu somente 4,43%, constituindo-se na segunda menor alta. A maior elevação ocorreu com habitação (10,60%), mas não por causa dos aluguéis (6,84%), mas sim por conta de ítens como o gás encanado e taxa de água e esgoto. Observe-se que eletrodomésticos também ajudaram a impedir que a inflação no grupo habitação fosse ainda mais significativa: os eletrodomésticos tiveram deflação de 8,36%. Assim, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP, situou-se em 7,21% em 1997. Em dezembro, este indicador registrou 0,56%, praticamente repetindo o resultado de novembro (0,53%).
No ano, o Índice de Preços por Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP, subiu 7,78%, justamente por causa dos preços agrícolas (17,72%) e gêneros alimentícios (19,42%). Neste caso, a alta cotação de alguns produtos no mercado internacional, como as do café e da soja, teve muita influência neste resultado. Em dezembro, o IPA ficou em 0,87%, taxa inferior à de novembro (1,08%).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com peso de 10% no IGP, registrou em 1997 elevação de 6,81% por conta do encarecimento de 9,83% na mão-de-obra, e de 4,14% em materiais de construção. Em dezembro, o INCC apontou 0,23%, quase a metade do apurado em novembro (0,54%).

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