IGP-DI tem deflação pelo segundo mês
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Irany Tereza<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro Pelo segundo mês consecutivo, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação. Em junho, a queda foi de 0,70, a maior deflação desde setembro de 1995, mas o núcleo da inflação, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, continuou positivo em 0,74%. O resultado significou queda em relação ao índice de 1,05% de maio, mas não refletiu a intensidade da taxa do varejo, que apresentou deflação de 0,16%.
O IGP-DI, usado como indexador de contratos de serviços públicos, corresponde ao acompanhamento do mês cheio, de 1 a 30.
A comparação mostra que, embora tenha se disseminado pela maioria dos produtos, a queda de preços captada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) não está ocorrendo de maneira uniforme, o que torna a redução do núcleo mais lenta. Mesmo assim, o economista Salomão Quadros, que coordena o cálculo do índice, aposta numa nova queda da taxa Selic na próxima reunião do Copom.
''A essa altura do campeonato, há sinais claros de que isso (queda dos juros) vai prosseguir. A questão agora é saber qual a dosagem certa. Acredito que já há espaço para baixar 1%'', observou Quadros, que classificou o estágio atual da economia como ''pré-recessivo'' e disse que um novo corte nos juros pode ajudar a reverter este quadro.
Segundo ele, dificilmente continuarão a ser registradas deflações nos próximos meses. A solução para o impasse do aumento de tarifas de telefone poderá representar um aumento significativo na inflação deste mês, já que o reajuste é nacional. Também o aumento da energia elétrica em São Paulo, em julho, deverá contribuir para a elevação da taxa.
''Não estamos vivendo uma deflação efetiva, mas uma variação negativa momentânea'', declarou Quadros.


