Carmem Murara
De Curitiba
Ao contrário da previsão feita no final de agosto pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas, o IGP-DI fechou o mês de setembro com variação de 1,47%, índice superior em 0,02 ponto percentual sobre o mês anterior. A estiagem prolongada foi a maior responsável pela elevação do índice inflacionário, neste período. O preço dos alimentos subiu entre 5,6% e 7,4% em média, alta que não estava prevista pelos economistas.
O IGP-DI foi divulgado ontem pela primeira vez em Curitiba para todo o Brasil. Quem fez a divulgação, simultânea com o Rio de Janeiro, foi o diretor do Ibre, Antonio Carlos Porto Gonçalves. Ele esteve em Curitiba a convite do Instituto Superior de Administração e Economia do Mercosul (Isae), que fez a entrega do prêmio das 22 maiores empresas paranaenses do ranking das 500 maiores do País.
Gonçalves destacou que o mês de setembro tem por tradição apresentar uma inflação mais baixa por causa da queda dos produtos agrícolas, mas houve uma exceção motivada por fatores climáticos neste ano. Ele citou como exemplo o preço do feijão que aumentou em 28% e da carne bovina que ficou 6% mais cara. Outro produto que sofreu o impacto da inflação foi a soja. ‘‘Por causa da alta do dólar, tivemos um reflexo de 14% de aumento no preço da soja’’, disse o diretor do Ibre, ao ressaltar que a parte agrícola comprometeu o IGP-DI.
O resultado do IGP-DI é uma consequência da evolução dos preços captada pelo Índice de Preço por Atacado (2,3%), pelo Índice de Preço ao Consumidor (0,19%) e pelo Índice Nacional de Custo da Construção (0,86%).
O cálculo da inflação mostrou também que a indústria não sofre mais com o efeito do aumento das tarifas públicas e da gasolina em agosto. O preço dos bens de produção passou de 2,6% para 2,9%, em compensação, houve uma desaceleração de 2,1% para 2,0% no ritmo dos produtos industriais.

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