Rio A alta dos preços dos produtos agrícolas e dos combustíveis no atacado e o reajuste de telefonia fixa fez com que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) saltasse para 0,82% em novembro, ante alta de 0,53% em outubro, informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, alertou ainda que o maior impacto do recente reajuste de combustíveis, anunciado pela Petrobras no dia 25 de novembro, será na inflação de dezembro. Mas na avaliação do técnico o aumento da inflação em novembro não é motivo de preocupação. ''O IGP-DI subiu, mas ainda é menor do que os resultados registrados ao longo do ano, em torno de 1% a 1,5%'', disse.
Como destaque positivo de novembro, o técnico acrescentou que os preços de ferro, aço e derivados no atacado apresentaram em novembro o menor nível de alta do ano (1,05%).
A taxa, que acompanha a variação de preços do mês cheio (de 1º a 30), acumula aumento de 11,56% no ano e 12,23% em 12 meses. Um dos principais fatores que levaram à aceleração do IGP-DI foi a disparada dos preços do atacado, medida pelo Índice de Preços por Atacado (IPA-DI), que passou de 0,61% para 1% de outubro para novembro. Segundo Quadros, a inflação no atacado sofreu a influência da alta dos preços dos produtos agrícolas (de queda de 2,73% para alta de 0,14%).
Para o economista, após três ou quatro meses com taxas negativas e pequenas variações positivas, os preços dos produtos agrícolas no atacado estão começando a subir. ''Alguma hora o período de entressafra teria de ter algum efeito na inflação. Os preços dos agrícolas não podiam cair para sempre'', justificou.
Embora os reajustes dos produtos industriais no atacado tenham recuado (de 1,83% para 1,30%), o grupo de combustíveis lubrificantes segue tendência de alta, passando de elevação de 2,05% para aumento de 4,09%, devido aos aumentos de álcool etílico hidratado (15,51%), óleos combustíveis (7,47%) e óleo diesel (3,03%). ''Esse período também engloba o reajuste anunciado pela Petrobras em 15 de outubro. E, no caso do álcool, a demanda por esse produto está superando a oferta'', explicou Quadros.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) subiu para 0,37% em novembro, ante 0,10% em outubro. O reajuste de telefonia fixa, em vigor desde 1 de novembro, foi responsável por cerca de 30% do IPC-DI a tarifa de telefone residencial passou de 0,44% para 3,14%, elevando de 0,32% para 0,62% os aumentos de preços de habitação, o grupo que teve o maior peso na formação do indicador do varejo em novembro. Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-DI) caiu para 0,71% em novembro, ante alta de 1,19% em outubro.
A inflação no varejo apresenta estabilidade, segundo o núcleo do IPC-DI de novembro, que ficou em 0,41%. Pelo quarto mês consecutivo, a taxa do núcleo mensal se posicionou na faixa de 0,40%.

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