Rio de Janeiro A inflação medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu para 1,66% em março, ante 1,59% em fevereiro, puxada especialmente pela alta de preços no atacado. Foi a maior elevação no mês de março desde 1999. A alta foi bem superior à esperada pelo mercado (1,25% a 1,45%) e já levanta dúvidas sobre uma possível queda na taxa básica de juros ainda neste mês.
O economista Salomão Quadros, responsável pela divulgação dos índices de preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), disse que os dados divulgados ontem confirmam que o País vive um momento de ''inércia inflacionária'', ou seja, de aumentos de preços por recomposição de margens mesmo que pressões anteriores, como a alta do dólar, tenham sido deixadas para trás ou, ainda, devido à expectativa de novas pressões. O IGP-DI já acumula no ano alta de 5,52% e, em 12 meses, de 32,75%.
Os preços no atacado (que respondem por 60% do índice) subiram 1,93% em março, ante 1,71% em fevereiro, segundo apurou o Índice de Preços por Atacado (IPA-DI). Para Quadros, a queda do dólar acentuada desde o início deste mês deverá desacelerar a alta do IPA e levar o IGP-DI de abril a apresentar uma variação inferior.
A alta no atacado foi provocada especialmente pelos produtos industriais (2,56%). ''Não há novas razões para esse aumento. Essa alta dos industriais deverá se esgotar em abril, sob efeito da queda do dólar e da demanda reduzida'', disse Quadros.
Segundo ele, os dados prévios da Sondagem Conjuntural da FGV mostram que as expectativas industriais se deterioraram para os próximos seis meses em relação às reveladas em janeiro, o que significa demanda retraída por causa da elevação da taxa básica de juros desde outubro. ''A queda do dólar deve abrir caminho para diminuir a resistência à queda da inflação'', disse.
Para ele, em abril a desaceleração no IPA deverá ''ser de tal magnitude'' que poderá anular uma possível estabilidade na variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI, que responde por 30% do índice e que subiu 1,06% em março, ante 1,37% em fevereiro). Quadros não espera uma queda significativa do IPC-DI em abril. Segundo ele, os preços ao consumidor estão caindo em ritmo mais lento do que se previa especialmente por causa da chamada inércia inflacionária. Como exemplo, ele diz que os preços da alimentação no IPC estão ''estacionados'', com alta de 1,92% em março, ante 2,03% em abril.
Núcleo Para Quadros, a alta de 1,07% no núcleo do IPC-DI (que exclui as 20% maiores e menores variações de preços ao consumidor) em março mostra que a inflação para o consumidor ''está mais espalhada, presente em vários setores, e, portanto, mais difícil de ser revertida''.
Segundo ele, o núcleo excluiu as variações de produtos como hortaliças e legumes, carnes suínas, bebidas alcoólicas e calçados. ''O núcleo mostra que realmente está havendo uma inércia e uma resistência na inflação.''
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC, que representa 10% do IGP-DI) registrou alta de 1,38% em março, resultado praticamente estável em relação ao 1,39% de fevereiro.

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